PIB do Brasil desacelera e cresce 0,1% no 3º trimestre

Os dados mostram desaceleração frente aos 0,3% do trimestre anterior.


O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou variação de 0,1% no terceiro trimestre de 2025 e desacelerou em relação ao segundo trimestre, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (4). Em valores correntes, a economia movimentou R$ 3,2 trilhões, dos quais R$ 2,8 trilhões correspondem ao valor adicionado a preços básicos e R$ 449,3 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

O resultado indica uma desaceleração em relação ao segundo trimestre, quando houve avanço de 0,3%, e ficou ligeiramente abaixo das projeções de mercado, que apontavam crescimento de 0,2%.

No recorte setorial, em relação ao trimestre anterior, a agropecuária cresceu 0,4% e a indústria, 0,8%. Os serviços, após desempenho mais robusto no trimestre anterior, avançaram apenas 0,1%, ficando praticamente estáveis. O consumo das famílias também perdeu ritmo, repetindo a variação de 0,1%. Já o consumo do governo apresentou alta de 1,3%, contribuindo para sustentar a demanda interna, enquanto os investimentos cresceram 0,9%, revertendo a queda de 2,2% observada anteriormente.

A taxa básica de juros, mantida em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas — encarece o crédito e aumenta o custo das dívidas, reduzindo a disposição das famílias para consumir. Ainda assim, o mercado de trabalho aquecido tem amenizado o impacto dos juros elevados. “Os juros altos naturalmente comprometem diversas atividades, mas o aumento da massa salarial e o mercado de trabalho aquecido ajudam a mitigar esse impacto. Se estivéssemos diante de um mercado de trabalho frágil, o resultado seria mais negativo”, afirma a analista do IBGE, Claudia Esterminio.

O setor de serviços mostrou perda de dinamismo, embora a maior parte das atividades tenha mantido crescimento. As exceções ficaram por conta das atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, que recuaram 1,0%. Os demais segmentos apresentaram avanços: transporte, armazenagem e correio (2,7%); informação e comunicação (1,5%); atividades imobiliárias (0,8%); comércio (0,4%); administração pública, defesa, saúde, educação e seguridade social (0,4%); e outras atividades de serviços (0,2%).

No setor externo, as exportações registraram alta de 3,3%, ganhando força após meses de desempenho moderado, enquanto as importações cresceram 0,3% e retornaram ao campo positivo.