O presidente da Rússia, Vladimir Putin, rejeitou nesta terça-feira (2) os pontos apresentados pela Ucrânia e por líderes europeus no plano de paz elaborado pelo governo de Donald Trump. O líder russo acusou a Europa de não desejar a paz e afirmou estar preparado para um confronto militar com os países europeus: “Se a Europa quiser lutar uma guerra, nós estamos prontos agora”, declarou. Veja aqui a declaração do líder russo.
O plano original, formulado pelos Estados Unidos, continha 28 pontos considerados por Kiev e pela União Europeia (UE) excessivamente favoráveis às exigências de Moscou — entre eles, a cessão de um quinto do território ucraniano à Rússia, a garantia de que a Ucrânia não ingressará na OTAN e a redução das forças armadas ucranianas de 900 mil para 600 mil militares.
Putin classificou as exigências europeias no documento como “totalmente inaceitáveis”. Segundo a imprensa norte-americana, líderes europeus ajustaram trechos como o que previa o encolhimento do Exército ucraniano, propondo redução para 800 mil soldados, e rejeitaram qualquer concessão territorial à Rússia.
A declaração do líder russo ocorre em um contexto de tensão máxima entre Moscou e a Europa. Após incidentes com drones nos últimos meses e diante do prolongamento da guerra na Ucrânia, iniciada pela Rússia em fevereiro de 2022, países da União Europeia intensificam investimentos em suas capacidades militares. Nesta semana, o comandante da OTAN afirmou que a aliança considera realizar “ataques preventivos” contra a Rússia para responder à chamada guerra híbrida conduzida por Moscou, declaração que irritou profundamente o Kremlin.
Putin se manifestou durante encontro com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, que viajou a Moscou para tentar avançar nas negociações de paz. Witkoff entregou ao presidente russo o plano revisado por Kiev e por líderes europeus.
Putin afirmou estar disposto a negociar, mas advertiu que, caso a Ucrânia recuse um acordo, as tropas russas avançarão ainda mais e conquistarão novo território. O presidente russo celebrou, na segunda-feira (1º), a suposta captura de uma cidade estratégica na Ucrânia, informação contestada por Kiev.
Os líderes europeus apresentaram uma contraproposta cujo conteúdo não foi divulgado. Na semana passada, negociadores ucranianos entregaram o novo documento ao governo Trump, que agora o enviará a Putin.
As forças russas controlam mais de 19% do território ucraniano — cerca de 115,6 mil quilômetros quadrados — e avançaram em 2025 no ritmo mais rápido desde 2022, segundo mapas pró-ucranianos. Kiev afirma que esses ganhos foram acompanhados de grandes perdas russas.
Paralelamente às negociações, Moscou continua avançando na linha de frente. Na segunda-feira, o Kremlin afirmou ter capturado Pokrovsk, no leste da Ucrânia, após cerca de um ano de combates. O porta-voz Dmitry Peskov disse que Putin foi informado da operação, e o Ministério da Defesa da Rússia divulgou imagens de soldados russos hasteando a bandeira do país na região central da cidade. A Ucrânia, porém, não confirmou a perda do território e afirmou à agência Reuters que ainda controla o norte de Pokrovsk. O 7º Corpo de Reação Rápida da Ucrânia relatou ações ofensivas no sul da cidade, atualmente sob domínio russo.




