A ampla maioria dos eleitores suíços rejeitou, neste domingo (30), a proposta de criação de um imposto de 50% sobre heranças e doações de valores acima de 50 milhões de francos suíços (cerca de R$ 330 milhões). A iniciativa, apresentada pela ala mais à esquerda do Partido Socialista Suíço, foi derrotada por 78,2% dos votos no referendo nacional.
Defensores da medida afirmavam que a taxação dos super-ricos permitiria ampliar recursos destinados a políticas sociais e ao enfrentamento das mudanças climáticas. Contudo, tanto o Parlamento suíço, composto por forças conservadoras, socialistas, liberais e democratas-cristãs, quanto o governo de coalizão recomendaram voto contrário. A avaliação predominante era que a aprovação do imposto poderia provocar a fuga de grandes fortunas, além de desestimular a chegada de novos milionários e bilionários ao país — um dos destinos preferenciais de grandes magnatas nas últimas décadas.
Estimativas preliminares indicavam que a nova taxação alcançaria aproximadamente 2,5 mil contribuintes.
LULA APOIA A MEDIDA
A discussão sobre a tributação dos mais ricos também tem sido defendida pelo Brasil em fóruns internacionais. No início de novembro, durante discurso na Cúpula do Clima, em Belém (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que países desenvolvidos devem financiar ações de preservação ambiental e reiterou que o combate às desigualdades exige maior contribuição das maiores fortunas. Segundo Lula, “uma pessoa dos 1% mais ricos produz mais carbono que os 50% mais pobres da população mundial durante o ano inteiro” e, por isso, “é legítimo exigir dessas pessoas mais contribuição”.
O governo petista tem defendido a criação de um imposto global de 2% sobre ativos dos super-ricos, proposta apresentada por Lula em diversas ocasiões desde o início do terceiro mandato. De acordo com o Planalto, os recursos arrecadados poderiam ajudar a financiar ações de combate à fome que afetam cerca de 673 milhões de pessoas no mundo.




