O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou nesta quinta-feira (27) que “se reserva o direito de responder de forma contundente” aos planos do Japão de instalar mísseis em uma ilha próxima à costa de Taiwan. A reação ocorre após o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, declarar no último domingo (23) que avança “firmemente” a implantação de uma unidade de mísseis terra-ar de médio alcance em Yonaguni, na província de Okinawa, localizada a cerca de 110 km da costa leste taiwanesa.
Moscou, que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, em uma guerra que se estende até os dias atuais, acusou Tóquio de agir sob influência dos Estados Unidos e afirmou que o Japão estaria “bombardeando essas ilhas com armas” como parte de um processo mais amplo de militarização na região. A China também reagiu com veemência: o Ministério da Defesa chinês disse que o Japão terá de pagar um “preço doloroso” caso ultrapasse limites considerados sensíveis por Pequim, em referência direta aos planos de instalação dos mísseis.
As declarações surgem em meio ao agravamento da pior crise diplomática entre Japão e China em décadas. A tensão se intensificou após a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmar que um eventual ataque chinês a Taiwan poderia provocar uma resposta militar de Tóquio.
Questionado sobre o plano japonês, o Ministério da Defesa da China reiterou que a “solução da questão de Taiwan” é um assunto interno chinês e não diz respeito ao Japão, que controlou a ilha entre 1895 e 1945. O porta-voz Jiang Bin afirmou que “o Japão não só deixou de refletir profundamente sobre seus graves crimes de agressão e domínio colonial em Taiwan, como, ao contrário, desafiando a opinião mundial, alimentou a ilusão de uma intervenção militar no Estreito de Taiwan”.
Bin acrescentou ainda que “o Exército de Libertação Popular possui capacidades poderosas e meios confiáveis para derrotar qualquer inimigo invasor. Se o lado japonês ousar cruzar a linha, mesmo que minimamente, e atrair problemas para si, inevitavelmente pagará um preço doloroso”.
O governo democraticamente eleito de Taiwan rejeita as reivindicações territoriais de Pequim e reafirma que cabe apenas à população local decidir o futuro da ilha. Nesta semana, o presidente taiwanês, Lai Ching-te, anunciou planos para investir US$ 40 bilhões adicionais em defesa nos próximos oito anos, medida criticada pela China como desperdício de recursos e potencial gatilho para “um desastre” em Taipé.




