EUA operam “navio fantasma” próximo à costa da Venezuela

A embarcação foi vista em Porto Rico e em Santa Cruz, nas Ilhas Virgens Americanas.


Nas últimas semanas, especialistas em segurança têm avaliado que a probabilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela aumentou significativamente. A presença reforçada de meios navais norte-americanos no Mar do Caribe é vista como um indicativo de que o presidente dos EUA, Donald Trump, poderia estar próximo de autorizar bombardeios pontuais em território venezuelano, segundo fontes do governo Trump ouvidas pela emissora norte-americana CNN.

Entre os equipamentos posicionados na região, um navio em particular tem despertado atenção: o MV Ocean Trader, conhecido como “navio fantasma” por sua capacidade de operar com baixa assinatura e escapar de sistemas de detecção. A embarcação foi vista atracada em Porto Rico e em Santa Cruz, nas Ilhas Virgens Americanas, a menos de mil quilômetros da costa venezuelana.

Originalmente um navio comercial, o MV Ocean Trader foi convertido para uso militar, mantendo uma aparência que pode ser facilmente confundida com a de uma embarcação mercante. Capaz de permanecer até 45 dias sem abastecimento — e, se necessário, de ser reabastecido em alto-mar — o navio é associado por analistas às Forças Especiais dos Estados Unidos. Sua estrutura comporta metralhadoras, rampas para motos aquáticas e pistas adequadas ao pouso de helicópteros pesados.

Brent Sadler, especialista do think tank Heritage Foundation, afirma que o navio pode operar helicópteros utilizados por forças especiais e servir como plataforma de desembarque de tropas. Já o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais estima que cerca de 150 militares de operações especiais estejam embarcados, utilizando o navio como base de comando flutuante, uma espécie de “navio-mãe”.

Especialistas ouvidos pela emissora britânica BBC News apontam que o MV Ocean Trader possivelmente transporta helicópteros de ataque dos modelos MH-6 Little Bird e MH-60 Black Hawk. Para Augusto Teixeira, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba, o chamado “navio fantasma” é apenas um componente secundário do cenário atual. “Há um porta-aviões e um grupo de batalha posicionados em águas internacionais perto da Venezuela. Fora, há guarnições já realizando treinamentos militares com Trinidad e Tobago, muito perto da Venezuela. Isso, no geral, é sim um problema muito maior”, afirmou.

Analistas de risco político consideram cada vez mais provável — ou até iminente — a possibilidade de uma operação militar dos EUA contra a Venezuela. Ian Bremmer, presidente do Grupo Eurásia, já classificou essa probabilidade como 100%, enquanto outras avaliações situam o risco em torno de 80%.

A capacidade de defesa venezuelana, porém, é incerta. “A Venezuela possui alguns sistemas de defesa antiaérea, como os S-300 exportados pela Rússia na década passada, mas não se sabe ao certo o nível de prontidão operacional”, explicou Teixeira, citando dúvidas sobre manutenção, estoque de mísseis e resistência à guerra eletrônica norte-americana.

Especialistas alertam ainda para o risco de que ataques limitados evoluam para uma escalada fora de controle. “Ataques limitados contra infraestruturas militares ou logísticas […] podem aumentar a pressão. Porém, caso isso seja feito, além de estarem infringindo o direito internacional […] há o problema relacionado ao controle da escalada”, afirmou Teixeira.