Presença militar dos EUA na América Latina preocupa Lula

A declaração foi dada à imprensa após a participação de Lula na 20ª Cúpula do G20.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou no domingo (23), em Joanesburgo, na África do Sul, que pretende discutir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o aumento da presença militar norte-americana no mar do Caribe. Veja o vídeo aqui.

“Me preocupa muito o aparato militar que os EUA colocaram no mar do Caribe e eu pretendo conversar com o presidente Trump sobre isso”, declarou Lula ao ser questionado sobre as recentes investidas de Washington na região e a possibilidade de um conflito envolvendo a Venezuela. O presidente enfatizou que a América do Sul é considerada “uma zona de paz” e destacou que o continente “não tem armas nucleares, bomba atômica, não tem nada”.

Lula disse considerar que “não tem nenhum sentido ter uma guerra” e citou a necessidade de evitar erros cometidos em conflitos recentes. “Não vamos repetir o erro que aconteceu na guerra da Rússia contra a Ucrânia. Para começar, basta dar um tipo; para terminar; não se sabe quando. É importante que a gente tente encontrar uma solução antes de começar.” O presidente afirmou ainda que o Brasil tem responsabilidade na região. “Fazemos fronteira com a Venezuela, e não é pouca coisa”, destacou.

A declaração foi dada durante entrevista à imprensa após a participação de Lula na 20ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do G20, encerrada no domingo. Segundo a agência Reuters, os Estados Unidos estariam prestes a lançar uma nova fase de operações na Venezuela, ainda sem definição de escopo ou data. Autoridades norte-americanas teriam indicado que as opções avaliadas incluem uma tentativa de derrubar o governo do ditador Nicolás Maduro.

A administração Trump sustenta que busca combater o suposto envolvimento de Maduro no tráfico de drogas que afeta os EUA. O ditador venezuelano nega qualquer ligação e acusa Washington de tentar destituí-lo e de, supostamente, controlar o petróleo do país.

A presença militar dos EUA no Caribe vem crescendo nos últimos meses. Trump já autorizou operações secretas da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, na Venezuela, e a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) alertou companhias aéreas sobre uma “situação potencialmente perigosa” no espaço aéreo venezuelano.

Em agosto, Washington dobrou para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro. Na semana passada, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que a designação de Maduro como terrorista “traz uma série de novas opções para os Estados Unidos”. Trump disse que a medida permitirá atacar “bens e infraestrutura” do regime venezuelano, embora tenha sinalizado disposição para buscar uma solução diplomática.