Foco será a anistia agora, diz Flávio após prisão de Bolsonaro

Deputados do PL querem acelerar a votação do texto ainda neste ano, mesmo dizendo que a prioridade oficial segue sendo a anistia.


A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada no sábado (22), reacendeu na oposição a mobilização para retomar o andamento do Projeto da Dosimetria, proposta que altera regras de aplicação de penas e que vinha sendo tratada como alternativa caso a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos não avançasse.

Após reunião nesta segunda-feira (24), deputados e senadores do Partido Liberal (PL), legenda de Bolsonaro, afirmaram que pretendem intensificar a articulação para votar o texto ainda neste ano, apesar de reiterarem publicamente que a prioridade formal do partido continua sendo a anistia.

Flávio Bolsonaro, senador pelo PL-RJ e filho do ex-presidente, declarou que a oposição não pretende “adotar obstrução” no Congresso e que deseja levar o Projeto da Dosimetria ao plenário. No entanto, reforçou que o foco permanece na anistia. “Estamos com foco na anistia. Esse vai virar um assunto para 2026”, afirmou às 17h47 desta segunda-feira. “Sempre deixamos bem claro que tipo de acordo não faríamos. Nosso compromisso não é com a dosimetria, é com a anistia.”

O senador disse ter conversado com o deputado Paulinho da Força sobre o tema e classificou a postura dele como “transparente”.

Integrantes do PL afirmam que a prisão preventiva de Bolsonaro — fundamentada, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), no risco de fuga, na violação da tornozeleira eletrônica e na tentativa de mobilizar apoiadores para burlar medidas cautelares — criou um novo ambiente político e aumentou o senso de urgência dentro da oposição. Flávio Bolsonaro voltou a criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes: “Está muito claro para a imprensa que a tornozeleira era o de menos. Quando veio o laudo médico provando quais eram os remédios que ele tinha tomado, o Moraes virou negacionista, ignorou a ciência.”

Ele também disse que a vigília convocada na noite de sexta-feira (21) tinha caráter exclusivamente religioso: “Chamei pessoas para orar e fomos criminalizados. Foi uma vigília pacífica. Ele entendeu que tem um poder sobrenatural de prever o futuro.”

O senador Rogério Marinho (PL-RN), um dos principais articuladores do Projeto da Dosimetria, afirmou ter percebido “amadurecimento” no Congresso para pautar a matéria. “Queremos que o Parlamento cumpra seu papel. Queremos que cada deputado possa, de forma livre, colocar o que acredita. Estamos trabalhando para que aconteça o mais rápido possível.” Mais cedo, ele também declarou que o PL votará contra a indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que indicou Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal: “Somos contra que um presidente indique advogado ou amigo seu. Claro que vamos votar contra o Messias.”

O deputado Sóstenes Cavalcante reforçou que a bancada mantém, desde fevereiro, a pauta da anistia entre suas prioridades.

Flávio Bolsonaro comentou ainda que não havia visitado o pai desde a prisão, mas que planeja fazê-lo ao lado do irmão: “Quero ver com meus próprios olhos a saúde dele.” Segundo o senador, Michelle Bolsonaro participou da reunião e relatou o sofrimento da família e sua preocupação com o estado de saúde do ex-presidente: “Ela deu depoimento de esposa, falou do sofrimento e da rotina de preparar as coisas, da preocupação dela com a saúde dele. A preocupação é essa: ele estar dentro de um local fechado sozinho.”