O Chile foi às urnas neste domingo (16) para o primeiro turno das eleições presidenciais. As seções eleitorais foram fechadas às 18h, pelo horário de Brasília, e a apuração começou imediatamente. A candidata de esquerda, a comunista Jeannette Jara, e o republicano conservador José Antonio Kast disputarão o segundo turno, marcado para 14 de dezembro.
A lista de candidatos incluía: Franco Parisi, do Partido Popular (PDG), de orientação populista; Jeannette Jara, da esquerda; Marco Enríquez-Ominami, independente de esquerda; o libertário Johannes Kaiser, de extrema direita; o ultraconservador José Antonio Kast; Eduardo Artés, independente de extrema esquerda; Evelyn Matthei, representante da direita tradicional pelo Chile Vamos; e o independente Harold Mayne-Nicholls.
Às 20h09, pelo horário de Brasília, com 40,35% das urnas apuradas, o resultado parcial era o seguinte:
• Jeannette Jara (Partido Comunista, apoiada por Gabriel Boric): 26,45%;
• José Antonio Kast (extrema direita, Partido Republicano): 24,46%;
• Franco Parisi (direita): 18,62%;
• Johannes Kaiser (direita): 13,92%;
• Evelyn Matthei (direita): 13,47%;
• Harold Mayne-Nicholls: 1,28%;
• Marco Enríquez-Ominami: 1,15%;
• Eduardo Artés: 0,65%.
A segurança pública domina o debate eleitoral em meio ao avanço da criminalidade e à crescente preocupação com a imigração no país. Embora a esquerda lidere o primeiro turno, as pesquisas indicam vantagem para a direita no segundo turno.
O Chile é atualmente governado por Gabriel Boric, de esquerda, que apoia Jara, sua ex-ministra do Trabalho. Ela liderava as pesquisas com cerca de 30% das intenções de voto, seguida por Kast, com pouco mais de 20%. Outros três nomes da direita — Kaiser, Matthei e Parisi — apareciam tecnicamente empatados pelo terceiro lugar. Apesar da liderança inicial, levantamentos apontam que Jara seria derrotada em um eventual segundo turno.
Neste domingo, após votar em Santiago, a principal cidade do país, Jara criticou adversários por, segundo ela, “exacerbar o medo”. Afirmou que isso não “serve para governar um país […] é preciso ter capacidade de realizar acordos, ter capacidade de diálogo”.
Durante a campanha, declarou que não terá “nenhum problema com a questão da segurança” e prometeu garantir que os chilenos tenham “a segurança de chegar ao fim do mês”. Entre suas propostas contra o crime organizado está o levantamento do sigilo bancário de suspeitos para rastrear fluxos financeiros ilícitos.
O país vive uma inflexão política. Em 2021, a vitória de Boric foi impulsionada por protestos contra a desigualdade e pela expectativa de uma nova Constituição. Quatro anos depois, a nova Carta não saiu do papel, e a criminalidade tornou-se a principal preocupação nacional.
A taxa de homicídios mais que dobrou em dez anos, passando de 2,3 por 100 mil habitantes em 2015 para 6,0 em 2024. Os casos de sequestro atingiram recorde em 2023, com mais de 860 registros. Soma-se a isso uma forte onda migratória: quase 700 mil venezuelanos vivem hoje no país.
Nesse contexto, candidatos de direita passaram a defender políticas de endurecimento. Kast, seguindo um modelo americano, promete expulsar todos os imigrantes sem documentos e implementar o chamado Escudo da Fronteira, que inclui muro, trincheiras e cercas elétricas na divisa norte do país. Jara, por sua vez, aposta no combate financeiro às organizações criminosas.




