“Gen Z” protesta no México contra governo de Sheinbaum e violência

O protesto foi liderado por jovens e ficou conhecido como a “marcha da Geração Z”.


Uma manifestação que começou de forma pacífica na Cidade do México terminou em confronto neste sábado (15). A marcha, que reuniu milhares de pessoas na Avenida Paseo de la Reforma, protestava contra o governo da presidente Claudia Sheinbaum, de esquerda, e contra o aumento dos casos de violência, incluindo o assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo. Veja o vídeo aqui.

Segundo a mídia internacional, as tensões se agravaram no início da tarde, quando alguns jovens escalaram barricadas metálicas instaladas no entorno do Palácio Nacional e passaram a golpear a estrutura na tentativa de derrubá-la. Policiais e militares responderam com gás lacrimogêneo, pó de pólvora e o acionamento de extintores de incêndio para dispersar a multidão. Manifestantes reagiram lançando fogos de artifício contra as forças de segurança.

“Era assim que vocês deveriam ter protegido Carlos Manzo”, gritaram participantes do ato, segundo a agência France Presse (AFP). Por volta das 13h, horário local (16h em Brasília), manifestantes e pessoas encapuzadas abriram uma brecha na barreira e tentaram avançar em direção ao Palácio Nacional. Policiais posicionados no local passaram a atirar pedras contra a multidão. Alguns feridos foram atendidos por médicos que participavam da marcha.

Com a escalada da violência, mais agentes da Secretaria de Segurança Cidadã foram mobilizados e passaram a reprimir os manifestantes, que deixaram o local poucos minutos depois.

O protesto foi organizado principalmente por jovens, o que levou à expressão marcha da Geração Z, embora pessoas de várias idades tenham aderido ao ato. A mobilização foi convocada pelas redes sociais e tinha como foco denunciar o aumento da violência e criticar a política de segurança da presidente Sheinbaum.

No cargo desde 1º de outubro de 2024, Sheinbaum mantém aprovação superior a 70% em seu primeiro ano de governo, mas enfrenta críticas após assassinatos de alto perfil registrados especialmente no estado de Michoacán. A região vive nova onda de violência após a morte de Carlos Manzo, morto a tiros durante um evento do Dia dos Mortos, em 2 de novembro. O crime ocorreu dias depois da morte de Bernardo Bravo, líder dos produtores de limão de Michoacán.

Durante o protesto, muitos participantes usavam chapéus semelhantes aos utilizados por Manzo. Na quinta-feira (13), Sheinbaum questionou os chamados para a mobilização, afirmando que a convocação foi “inorgânica” e “paga” e que representava, segundo ela, “um impulso, promovido inclusive do exterior, contra o governo”.