Banco de Portugal recomenda ter dinheiro físico em casa para eventuais crises

Embora não haja valor obrigatório, autoridades sugerem manter 70 euros por adulto e 30 por criança.


O Banco de Portugal (BdP) passou a se alinhar a outras instituições europeias ao recomendar que os cidadãos mantenham uma reserva de dinheiro físico em casa para enfrentar eventuais crises, como o apagão energético registrado em 28 de abril deste ano. Embora não exista um valor obrigatório, algumas autoridades sugerem referências: 70 euros por adulto e 30 euros por criança.

Segundo o Boletim Notas e Moedas, publicado pelo BdP em 31 de outubro, tanto o número de operações quanto o valor sacado aumentaram após o apagão. O relatório indica que muitos consumidores realizaram saques extraordinários, compensando aqueles que não puderam ser feitos devido à indisponibilidade da maioria dos caixas eletrônicos. O BdP destaca ainda que é plausível que parte da população tenha reforçado suas reservas de numerário por preocupações pessoais e pelas notícias que enfatizaram a utilidade do dinheiro físico em momentos de crise.

O banco central português reforça uma conclusão essencial do episódio: “Um evento súbito, como o que ocorreu, revela que o numerário continua a ser indispensável. O dinheiro físico não é apenas um meio de pagamento: é também um recurso estratégico de continuidade operacional. Funciona como rede de segurança, assegurando que a economia prossegue mesmo quando a tecnologia falha”.

Diante disso, o BdP considera fundamental preservar uma rede ampla e equilibrada de pontos de acesso a numerário distribuídos pelo território nacional. Além disso, reforça que é prudente que os cidadãos mantenham algum dinheiro físico disponível.

A recomendação não é exclusiva de Portugal. O Banco Central Europeu (BCE) também orienta que as famílias mantenham uma quantia de dinheiro em espécie para responder a situações de emergência. Um estudo da instituição, intitulado “Keep calm and carry cash”, concluiu que a “utilidade do dinheiro em numerário intensifica-se quando a estabilidade é ameaçada”. O documento destaca que o numerário é “uma componente crítica da preparação nacional para as crises” e observa que bancos centrais, ministérios das finanças e agências de proteção civil de vários países recomendam que as famílias guardem valores suficientes para garantir compras essenciais por alguns dias.

Na Holanda, Áustria e Finlândia, as autoridades sugerem quantias entre 70 e 100 euros por membro da família, suficientes para cobrir necessidades básicas por aproximadamente 72 horas. O banco central holandês, De Nederlandsche Bank, recomenda expressamente 70 euros por adulto e 30 por criança, valores que compõem um kit de emergência destinado a assegurar a sobrevivência nos primeiros três dias de uma crise.