Rússia diz querer o fim da guerra, mas afirma que processo de paz está paralisado

Rússia mantém controle de aproximadamente 19% da Ucrânia quase quatro anos após o início da guerra.


O Kremlin afirmou nesta segunda-feira (10) que deseja o fim da guerra na Ucrânia o mais rápido possível, mas ressaltou que os esforços para uma solução permanecem paralisados. A declaração foi uma resposta às afirmações feitas na sexta-feira (7) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse, em reunião com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban: “Acho que concordamos que a guerra vai terminar em um futuro não muito distante.”

Em entrevista coletiva, o porta-voz Dmitry Peskov reiterou que a guerra poderia terminar assim que a Rússia “atingisse seus objetivos” e afirmou que Moscou preferiria fazê-lo por meios políticos e diplomáticos. Segundo ele, “atualmente há uma pausa, a situação está paralisada. E não é por nossa culpa”, responsabilizando a Ucrânia pela estagnação. A Rússia iniciou a guerra ao invadir a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.

Kiev e seus aliados europeus rejeitam a acusação de Moscou e afirmam que a Rússia é quem bloqueia avanços nas negociações. Não há conversas presenciais entre os dois países desde 23 de julho.

Trump tentou persuadir o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a se reunirem, mas o Kremlin condicionou qualquer cúpula à realização em Moscou, exigência recusada por Zelensky, que afirma não acreditar que Putin esteja comprometido com a paz.

Peskov afirmou que foi Kiev quem interrompeu os diálogos e alegou que os europeus “estão sendo incentivados de todas as maneiras” a acreditar que a Ucrânia pode vencer militarmente. “Isso é uma profunda ilusão”, disse ele, citando a situação na linha de frente da guerra.

Às vésperas de a guerra completar quatro anos, a Rússia controla cerca de 19% do território ucraniano e intensifica as ofensivas para tomar as cidades de Pokrovsk e Kupiansk, localizadas no leste da Ucrânia.