As Forças Armadas de Israel voltaram a bombardear, nesta quinta-feira (6), o sul do Líbano, apesar do cessar-fogo vigente desde o ano passado, alegando atingir alvos ligados à infraestrutura militar do Hezbollah. A ofensiva ocorre em meio às negociações para o desarmamento do grupo político-militar, que, mesmo sob pressão dos Estados Unidos e diante dos ataques israelenses, recusa-se a aceitar o plano proposto. Veja o ataque aqui.
Em comunicado, o comando militar israelense informou que as operações tiveram como alvo unidades envolvidas na reconstrução da estrutura militar do Hezbollah. Alertas foram emitidos para que moradores de cidades e vilas da região deixassem suas casas e evitassem determinados prédios. Pelo menos uma pessoa morreu durante a ação, que envolveu aeronaves e drones.
Segundo a inteligência israelense, o Hezbollah tem se empenhado em restaurar sua capacidade de combate, parcialmente destruída durante a guerra travada entre setembro e novembro do ano passado, que resultou na eliminação de parte de sua cúpula política e militar. Relatórios recentes indicam que o grupo conseguiu reativar parte de sua cadeia de suprimentos e voltou a receber armas e munições enviadas pelo Irã.
“A doutrina de segurança de Israel mudou desde 7 de outubro. As Forças de Defesa de Israel agirão contra qualquer ameaça em seu estágio inicial, independentemente dos motivos do inimigo”, afirmou uma fonte dos serviços de segurança israelenses ao jornal Haaretz, sob anonimato.
As Forças Armadas de Israel também acusam o Estado libanês de evitar confrontos diretos com o Hezbollah, em meio ao frágil cenário político que se seguiu ao cessar-fogo firmado há um ano.
Pelo acordo, as Forças Armadas do Líbano deveriam ser a única entidade armada no sul do país, cabendo ao governo supervisionar o desarmamento do Hezbollah até o fim deste ano e controlar a produção e o comércio de armas. Apesar disso, Israel continuou realizando ataques em território libanês.
O Hezbollah, por sua vez, sustenta que o acordo se aplica apenas ao sul do Líbano. Embora parte de seu arsenal tenha sido destruída — e, segundo a agência Reuters, o Exército libanês esteja ficando sem explosivos devido ao volume de armas inutilizadas —, o grupo rejeita o desarmamento completo. Antes da guerra, o Hezbollah era considerado a maior força militar não estatal do mundo e chegou a apoiar o Hamas durante o conflito na Faixa de Gaza, lançando centenas de mísseis contra o norte de Israel.




