Lula classifica operação policial no Rio como “matança”

Lula quer peritos da PF nas investigações das mortes.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (4) que legistas da Polícia Federal (PF) devem participar das investigações sobre a operação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro na semana passada, incluindo quatro agentes. Lula classificou o resultado da ação como uma “matança”. Veja a fala de Lula aqui.

A operação, realizada pelo governo fluminense na terça-feira (28), mirou a facção Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha e se tornou a mais letal da história do estado.

“Vamos ver se a gente consegue fazer essa investigação. Porque a decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança, e houve matança”, declarou o presidente em entrevista às agências Associated Press e Reuters, durante agenda em Belém (PA).

Segundo Lula, o governo federal trabalha para que peritos da PF acompanhem a apuração sobre as mortes registradas durante a ação policial. O Supremo Tribunal Federal (STF) realizará, na quarta-feira (5), uma audiência para tratar do caso.

“Eu acho que é importante a gente verificar em que condições ela [a operação] se deu, porque até agora nós temos uma versão contada pela polícia, contada pelo governo do estado, e tem gente que quer saber se tudo aquilo aconteceu do jeito que eles falam ou se teve alguma coisa mais delicada na operação”, afirmou.

No dia seguinte à ação, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), classificou a operação como um “sucesso” e disse que as únicas vítimas foram os quatro policiais mortos.

Pesquisa do Instituto Quaest, divulgada na segunda-feira (3), mostra que 85% dos moradores do estado defendem o aumento da pena de prisão para condenados por homicídio a mando de organizações criminosas. Segundo o levantamento, 64% aprovam a operação, e 72% concordam em tipificar o crime organizado como organização terrorista.

ATUAÇÃO DO SUPREMO

O ministro Alexandre de Moraes determinou no domingo (2) que o governo do Rio preserve todos os elementos materiais relacionados à operação, incluindo perícias e cadeias de custódia, para possibilitar “o exercício do controle e averiguação” pelo Ministério Público. O magistrado também garantiu acesso da Defensoria Pública estadual às informações.

A decisão atende a pedido da Defensoria Pública da União (DPU), apresentado na quinta-feira (30), no âmbito da ADPF das Favelas — da qual Moraes é relator —, em que o STF estabeleceu parâmetros para operações policiais em comunidades do Rio.