Morre Dick Cheney, o ex-vice-presidente mais poderoso dos EUA, aos 84 anos

Cheney foi o 46º vice-presidente dos EUA, servindo com George W. Bush entre 2001 e 2009.


Dick Cheney, considerado o vice-presidente mais poderoso da era moderna dos Estados Unidos e figura central da chamada “guerra ao terror”, morreu aos 84 anos, segundo comunicado de sua família na segunda-feira (3), divulgado na manhã desta terça-feira (4). Ele foi um dos principais responsáveis por conduzir o país à guerra do Iraque, sustentada por premissas posteriormente consideradas equivocadas.

Cheney foi o 46º vice-presidente dos EUA, servindo ao lado do republicano George W. Bush por dois mandatos, entre 2001 e 2009. Ao longo de décadas, consolidou-se como um dos nomes mais influentes e controversos de Washington. Nos últimos anos, porém, tornou-se persona non grata em seu próprio partido devido às fortes críticas ao presidente norte-americano Donald Trump, a quem chamou de “covarde” e de maior ameaça já enfrentada pela república. Em uma reviravolta simbólica, Cheney declarou ter votado pela última vez na eleição presidencial de 2024 na democrata Kamala Harris, refletindo o afastamento do Partido Republicano de seu tradicional conservadorismo em direção a uma pauta populista.

O ex-vice-presidente sofria de problemas cardíacos desde a juventude, sobrevivera a múltiplos infartos e viveu de forma ativa após receber um transplante de coração em 2012, que descreveu como “o próprio dom da vida”.

Ex-deputado pelo estado de Wyoming, ex-chefe de gabinete da Casa Branca e ex-secretário de Defesa dos EUA, Cheney estava no setor privado quando foi encarregado por Bush de auxiliar na escolha de um candidato à vice-presidência. O processo terminou com sua própria indicação ao cargo, em uma administração marcada pela influência significativa que ele exercia nos bastidores.

Em 11 de setembro de 2001, Cheney estava na Casa Branca quando os atentados terroristas ocorreram em Nova York. Ele relatou ter se tornado, naquele momento, um homem decidido a impedir novos ataques, adotando uma postura de firmeza militar dos EUA no Oriente Médio e defendendo a doutrina de mudanças de regime e ações preventivas contra ameaças externas. Anos depois, refletiu sobre o peso daquela responsabilidade. Ainda assim, relatos históricos indicam que, apesar de sua influência, o então presidente Bush se considerava “o decisor”, refutando a ideia de que Cheney comandava sozinho as decisões da política externa americana.