Os Estados Unidos decidiram reativar a antiga base naval de Roosevelt Roads, em Porto Rico, após duas décadas de abandono, no contexto da expansão das operações antidrogas promovidas pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump no Caribe. A ofensiva visa reforçar a presença militar nas proximidades da Venezuela e da Colômbia, com ilhas como Trinidad e Tobago servindo de apoio logístico.
Estima-se que cerca de 10 mil militares norte-americanos estejam atualmente em Porto Rico. Desde setembro, o complexo de 3,5 mil hectares — que já foi a maior base naval dos EUA no exterior — voltou a receber operações estratégicas, incluindo aeronaves furtivas F-35B, aeronaves Osprey de transporte de tropas e cargueiros C-17 Globemaster III.
Embora o Departamento de Defesa dos EUA não tenha detalhado a dimensão total do destacamento, imagens de satélite apontam para a presença de ao menos três destróieres com mísseis guiados, um grupo de assalto anfíbio e embarcações de combate de águas rasas nas imediações da costa venezuelana. O porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior da frota americana e do mundo, também foi direcionado à região.
Segundo o Comando Sul dos Estados Unidos, Porto Rico representa “uma boa base de operações para nossa missão contínua, devido à proximidade com as águas internacionais do Caribe exploradas por traficantes de drogas”.
A governadora porto-riquenha, Jenniffer Gonzalez, aliada de Trump, afirmou que o retorno militar americano “é bom para a segurança e bom para a economia”. Entretanto, o reforço da presença norte-americana gera controvérsias. Embora Porto Rico não integre a Comunidade do Caribe (Caricom), 14 países do bloco declararam o Caribe uma “zona de paz”, defendendo a resolução de temas de segurança “por meio da cooperação internacional contínua e dentro do direito internacional”.
Trinidad, cujo primeiro-ministro, Kamla Persad-Bissessar, apoiou as operações dos EUA e declarou que traficantes de drogas “merecem ser mortos violentamente”, recusou-se a assinar o documento.
Desde o início de setembro, os EUA anunciaram 14 ações contra embarcações suspeitas de tráfico, com mais de 60 mortos, entre venezuelanos, colombianos e trinitários, segundo estimativas. Trump indicou estar aberto a atacar o território continental da Venezuela e autorizou a CIA, a agência de inteligência dos EUA, a agir contra o ditador Nicolás Maduro, classificado por Washington como líder de uma organização terrorista.
Roosevelt Roads foi construída em 1940 por ordem do presidente Franklin D. Roosevelt, que a descreveu como a “Pearl Harbor do Hemisfério”. A ilha de Vieques foi usada para testes militares, provocando décadas de protestos. Em 2001, Robert F. Kennedy Jr., atual secretário de Saúde e Serviços Humanos do governo Trump, foi preso ao participar de manifestações. Pressionado, Washington desativou a base em 2004, transferindo-a ao governo local. Desde então, o local tornou-se símbolo de abandono em uma ilha afetada por crises fiscais e apagões, e projetos de revitalização nunca avançaram.




