Gleisi: governadores da direita “investem na divisão” e querem intervenção de Trump

A fala ocorre em meio às críticas do governo Lula e do PT à operação.


A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, voltou a defender nesta sexta-feira (31) a aprovação urgente da PEC da Segurança Pública enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional. O texto — entregue em abril — pretende aumentar a integração entre as polícias federal, estaduais e municipais, além de reforçar o papel do Estado nas operações interestaduais e internacionais contra o crime organizado.

Para Gleisi, entretanto, “em vez de somar forças no combate ao crime organizado, como propõe a PEC da Segurança enviada pelo presidente Lula ao Congresso, os governadores da direita, vocalizados por Ronaldo Caiado, investem na divisão política e querem colocar o Brasil no radar do intervencionismo militar de Donald Trump [presidente dos EUA] na América Latina. Não conseguem esconder seu desejo de entregar o país ao estrangeiro, do mesmo jeito que Eduardo Bolsonaro e sua família de traidores da pátria fizeram com as tarifas e a Magnitsky. Segurança pública é uma questão muito importante, que não pode ser tratada com leviandade e objetivos eleitoreiros. Combater o crime exige inteligência, planejamento e soma de esforços.”

A fala ocorre no momento em que o governo federal e a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) criticaram a megaoperação da polícia estadual do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que resultou em pelo menos 121 mortos e 113 presos, segundo dados atualizados nesta sexta-feira. Os petistas classificaram a ação como “a expressão máxima de um modelo falido e irresponsável, que faz da polícia fluminense uma das que mais mata e mais morre no mundo”.

O governo federal defende que a PEC permite justamente a articulação entre entes federativos antes do envio de armas, equipamentos ou tropas isoladamente pelos estados. “Ficou mais uma vez evidente a necessidade de articulação entre forças de segurança no combate ao crime organizado. E o fortalecimento da Polícia Federal e outras forças federais no planejamento e na execução das ações conjuntas, não apenas fornecendo armas, equipamentos e tropas para operações decididas isoladamente por governos locais”, afirmou Gleisi.

Segundo o governo, o relatório da PEC poderá ser apresentado ainda este ano, com tramitação subsequente em comissão especial na Câmara dos Deputados.