Únicas vítimas da operação de ontem foram os policiais, diz Castro

Na tarde desta quarta, o governo do Rio confirmou 119 mortes.


O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta quarta-feira (29) que a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, considerada a mais letal da história do estado, foi um “sucesso”.

“Temos muita tranquilidade em defender tudo o que fizemos ontem. Queria me solidarizar com a família dos quatro guerreiros que deram a vida para salvar a população. De vítima ontem lá, só tivemos esses policiais”, declarou Castro.

Na tarde desta quarta, o governo fluminense confirmou 119 mortes até o momento. Segundo o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, na terça-feira (28) havia 58 mortos, sendo quatro policiais, e até o fim da manhã desta quarta outros 63 corpos foram “achados na mata”. Moradores da Penha relataram ter encontrado 74 corpos na área da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos. Eles levaram os cadáveres para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, ao longo da madrugada.

Mais cedo, Castro havia afirmado que as 54 pessoas encontradas mortas eram criminosas, já que os confrontos se concentraram em área de mata: “Não acredito que havia alguém passeando em área de mata em um dia de operação.”

O governador fluminense não explicou por que o número de mortos subiu de 64 para 119, nem comentou os corpos deixados por moradores na Praça São Lucas. “Temos que ser muito responsáveis. A nossa contabilidade conta a partir do momento em que os corpos entram no IML. A Polícia Civil tem a responsabilidade enorme de identificar quem eram aquelas pessoas. Eu não posso fazer balanço antes de todos entrarem”, afirmou.

Castro também voltou a criticar o governo federal, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alegando falta de apoio e recursos: “A gente não vai ficar respondendo nem ministro nem autoridade que queira transformar esse momento em uma batalha política. O recado é: ou soma no combate à criminalidade ou suma!”

Ele disse ainda que recebeu apoio de outros governadores e defendeu a operação: “Ontem pode ser o início de um grande processo no Brasil. Temos a convicção de que podemos vencer batalhas, mas sozinhos não podemos vencer a guerra.”