J.P. Morgan investirá $1,5 tri nos EUA e mira defesa, energia e tech/IA

O banco prevê investir US$ 1 trilhão em dez anos, com possível aumento de 50%.


O banco norte-americano J.P. Morgan Chase anunciou, em 13 de outubro, uma iniciativa de dez anos por meio da qual pretende facilitar e financiar até US$ 1,5 trilhão em investimentos voltados a setores considerados essenciais à segurança nacional dos Estados Unidos. Como parte do plano, o maior banco americano destinará até US$ 10 bilhões de recursos próprios para adquirir participações em empresas estratégicas — um movimento que reflete a adoção crescente da política “América em Primeiro Lugar” pelo setor privado dos EUA.

Segundo o presidente-executivo do banco, Jamie Dimon, a iniciativa busca reduzir a dependência dos Estados Unidos de fornecedores estrangeiros em áreas sensíveis. “Ficou dolorosamente claro que os EUA se permitiram tornar-se excessivamente dependentes de fontes pouco confiáveis de minerais, produtos e manufaturas críticas — todos eles essenciais para a nossa segurança nacional”, afirmou, em referência indireta à China.

Dimon acrescentou que o programa inclui esforços para “garantir acesso confiável a medicamentos que salvam vidas e a minerais estratégicos, defender nosso país, construir sistemas de energia capazes de atender à demanda impulsionada pela inteligência artificial e avançar em tecnologias como semicondutores e centros de dados”.

O J.P. Morgan informou que os investimentos se concentrarão em quatro áreas principais: cadeias de suprimentos e manufatura avançada; defesa e setor aeroespacial; independência e resiliência energética; e tecnologias estratégicas emergentes. A maior parte dos US$ 10 bilhões será aplicada em empresas sediadas nos Estados Unidos.

Em relação à meta mais ampla, o banco pretende financiar cerca de US$ 1 trilhão ao longo da próxima década, com planos de elevar esse valor em até 50% conforme o avanço dos projetos.

Embora o comunicado não mencione diretamente o presidente dos EUA, Donald Trump, a iniciativa está alinhada com as prioridades da Casa Branca, que busca assegurar que as infraestruturas e tecnologias críticas — tanto atuais quanto emergentes — permaneçam sob controle americano.

O domínio da China sobre a produção de minerais de terras raras é citado como exemplo da vulnerabilidade que o programa pretende mitigar. Dimon, uma das figuras mais influentes de Wall Street, tem, segundo analistas geopolíticos, reiterado seu patriotismo e o compromisso de alinhar os negócios do banco aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.