Governo Lula negou apoio a operação contra o CV no Rio, diz Castro

A operação no Rio deixou ao menos 60 mortos em confrontos intensos.


O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta terça-feira (28) que o governo federal, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recusou pedidos de apoio para operações policiais no estado e que, por isso, o Rio “estava sozinho” na ação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense, que deixou ao menos 60 mortos em intensos confrontos.

“Tivemos pedidos negados três vezes: para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente [Lula] é contra a GLO. Cada dia uma razão para não estar colaborando”, declarou Castro.

A Garantia da Lei e da Ordem (GLO) é um instrumento previsto na Constituição Federal que autoriza o uso das Forças Armadas do Brasil em ações de segurança pública em situações excepcionais, quando há esgotamento das forças policiais estaduais. Nesses casos, Exército, Marinha e Aeronáutica passam a atuar com poder de polícia, de forma temporária e sob comando do presidente da República, para restabelecer a ordem e proteger pessoas e patrimônios.

O governador do Rio disse ainda que a operação “tem muito pouco a ver com segurança pública”, classificando o cenário como “uma guerra que está passando dos limites” e cobrando integração com o governo federal. “É uma operação de defesa. É um estado de defesa […] não é mais só responsabilidade do estado. O estado está fazendo a sua parte, sim, mas, quando se fala em exceder — exceder inclusive as nossas competências —, já era para estar tendo um trabalho de integração muito maior com as Forças Federais, o que, nesse momento, não está acontecendo.”

O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que mantém atuação no Rio desde outubro de 2023, por meio da Operação Nacional de Segurança Pública, vigente até 16 de dezembro de 2025, com possibilidade de renovação. Em nota, afirmou que tem atendido a todos os pedidos do governo fluminense para o emprego da Força Nacional e que a Polícia Federal realizou 178 operações no estado neste ano, sendo 24 contra o tráfico de drogas e armas.

A pasta destacou também ações da Polícia Rodoviária Federal no combate a roubos de cargas e veículos, além de repasses de recursos federais e doações de equipamentos. O governo federal reafirmou seu compromisso com o Rio por meio de apoio integrado e cooperação no enfrentamento ao crime organizado.

Castro classificou a ação desta terça-feira como “a maior da história do Rio de Janeiro”. “Estamos sozinhos nessa luta hoje. É uma operação maior que a de 2010 e, infelizmente, desta vez, como ao longo deste mandato inteiro, não temos o auxílio de blindados nem de agentes das forças federais de segurança e defesa.”

Segundo o governador, “não foram pedidas forças federais desta vez”, e sua cobrança “não é política, é um pedido de ajuda”. “O Rio de Janeiro não produz essas armas, essas drogas; esse poder bélico está sendo financiado com lavagem de dinheiro. Tudo que o estado pode fazer está sendo feito.”

A ação integra a Operação Contenção, iniciativa permanente do governo estadual contra o avanço do Comando Vermelho (CV). Desta vez, as equipes atuaram nos complexos do Alemão e da Penha, conjunto de 26 comunidades onde, segundo investigações, se abrigam chefes da facção no Rio e em outros estados.

Criminosos reagiram com barricadas em chamas e ataques com drones. Alguns fugiram em fila indiana pela parte alta da comunidade, em cena semelhante à registrada em 2010, durante a ocupação do Alemão.