A um ano da eleição, Lula lança ofensiva de R$ 260 bi à classe média

Entre as medidas, destacam-se o Crédito do Trabalhador e a ampliação do Minha Casa, Minha Vida para a classe média.


A um ano das eleições de 2026, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica esforços para ampliar sua base de apoio entre eleitores de renda média, considerados estratégicos nas urnas. A estratégia combina medidas de estímulo econômico, facilitação do crédito e adaptação de programas sociais.

Entre as principais iniciativas estão o Crédito do Trabalhador, a ampliação do Minha Casa, Minha Vida para famílias de renda média, o programa Carro Sustentável, a elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o lançamento do Reforma Casa Brasil. O objetivo é aliviar o custo de vida e ampliar o acesso ao crédito.

Segundo pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na sexta-feira (24), a avaliação de Lula entre eleitores com renda familiar de R$ 3 mil a R$ 5 mil é equilibrada: 49,2% aprovam e 48,7% desaprovam. Já entre os que ganham entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, 57,2% aprovam e 42,6% desaprovam.

O Crédito do Trabalhador, criado por medida provisória em março, destina-se a profissionais do setor privado com carteira assinada. O programa permite o uso de até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia. A taxa de juros é de 3,56% ao mês, e já foram contratados R$ 80 bilhões, com valor médio de R$ 6.830,29 por operação.

Em abril, o governo lançou uma nova faixa do Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda de até R$ 12 mil mensais, possibilitando o financiamento de imóveis de até R$ 500 mil com juros de 10% ao ano. O investimento total é de R$ 30 bilhões, sendo metade proveniente do FGTS. A expectativa é atender 120 mil famílias até 2025.

O programa Carro Sustentável, lançado em agosto de 2025, reduz o IPI de veículos mais econômicos e sustentáveis, incentivando a compra de modelos nacionais movidos a energia limpa. A redução pode chegar a R$ 13 mil, beneficiando montadoras como General Motors (EUA), Renault (França), Volkswagen (Alemanha), Hyundai (Coreia do Sul) e Stellantis (multinacional).

A principal promessa de campanha de Lula, a ampliação da isenção do Imposto de Renda, propõe isentar rendas de até R$ 5 mil e reduzir a alíquota para salários de até R$ 7.350. Em contrapartida, aumenta a tributação sobre os “super-ricos”, com ganhos superiores a R$ 600 mil anuais. O governo afirma que a medida é fiscalmente neutra.

Outra ação voltada à classe média é a nova linha de crédito imobiliário para famílias com renda acima de R$ 12 mil, com juros de até 12% ao ano. A iniciativa deve financiar 80 mil imóveis e movimentar R$ 111 bilhões no primeiro ano.

O programa Reforma Casa Brasil, lançado em 20 de outubro, prevê R$ 40 bilhões para reformas e ampliações residenciais. As taxas variam de 1,17% a 1,95% ao mês, com prazos de até 60 meses. A expectativa é alcançar 1,5 milhão de contratações.

De acordo com a classificação de renda mais utilizada no país, a classe A possui rendimentos acima de R$ 24.800; a classe B, entre R$ 8.000 e R$ 24.800; a classe C, entre R$ 3.300 e R$ 8.000; e as classes D/E, até R$ 3.300.