Navio de guerra dos EUA chega a Trinidad e Tobago, próximo à Venezuela

A chegada ocorre em meio à pressão crescente de Donald Trump sobre o regime Maduro.


Um navio de guerra norte-americano, o destróier lançador de mísseis USS Gravely, chegou neste domingo (26) a Trinidad e Tobago, pequeno arquipélago localizado em frente à costa da Venezuela. A chegada ocorre em meio à crescente pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o regime de Nicolás Maduro.

O governo trinitário havia anunciado a visita do navio na última quinta-feira (23). O arquipélago, com cerca de 1,4 milhão de habitantes, tem sua extremidade ocidental situada a aproximadamente dez quilômetros da Venezuela. O USS Gravely permanecerá atracado em Port of Spain, capital do país, até a próxima quinta-feira (30). Durante o período, uma unidade de fuzileiros navais norte-americanos realizará um treinamento conjunto com as forças de defesa locais.

“Há uma boa razão para trazerem seu navio de guerra para cá. É para ajudar a limpar os problemas de drogas que estão no território venezuelano”, afirmou Lisa, moradora de 52 anos que preferiu não revelar o sobrenome à mídia local. “É por uma boa causa, muitas pessoas serão libertadas da opressão e do crime”, acrescentou.

A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, é uma apoiadora declarada de Trump e adotou, desde sua posse, em maio de 2025, um discurso rigoroso contra a imigração e a criminalidade venezuelana em seu país. Caracas acusa o novo governo trinitário de atuar em benefício dos interesses de Washington.

No sábado (25), a Venezuela realizou exercícios militares para proteger seu litoral de possíveis “operações encobertas” aprovadas pelo governo norte-americano, segundo informou o ministro da Defesa, Vladimir Padrino. “Estamos desenvolvendo um exercício que começou há 72 horas, um exercício de defesa costeira, para nos protegermos não apenas das ameaças militares em larga escala, mas também do narcotráfico, das ameaças terroristas, das operações encobertas que procuram desestabilizar o interior do país”, declarou o ministro.

Militares venezuelanos foram enviados ao litoral para os exercícios, em cumprimento a ordens do ditador Nicolás Maduro, que afirmou que os Estados Unidos “estão inventando uma guerra” contra seu país.

As tensões entre Washington e Caracas vêm se intensificando desde agosto, quando o governo norte-americano anunciou o envio de navios e aeronaves militares ao sul do Caribe. Desde então, os EUA vêm reunindo uma força composta por navios de guerra, caças, bombardeiros, fuzileiros navais, drones e aviões de espionagem na região. Trump chegou a admitir ter autorizado operações secretas da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) na Venezuela.

Diante do cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se ofereceu neste domingo para atuar como interlocutor entre os Estados Unidos e a Venezuela. A proposta foi apresentada durante uma reunião entre Lula e Trump, à margem da Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Kuala Lumpur, na Malásia.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Lula destacou que a América do Sul e a América Latina são regiões de paz e afirmou que o Brasil está disposto a “buscar soluções que sejam mutuamente aceitáveis e corretas”. O chanceler acrescentou que o presidente brasileiro reafirmou o compromisso do país em “atuar como elemento da paz e do entendimento”.

Na sexta-feira (24), dois dias antes do encontro, Lula havia criticado eventuais ataques ou invasões a outros países sob o pretexto de combater o narcotráfico. “Se o mundo virar uma terra sem lei, vai ficar muito difícil”, disse o petista, sugerindo que os Estados Unidos dialoguem com as autoridades policiais e judiciais dos países envolvidos.

“Se a moda pega, cada um acha que pode invadir o território do outro para fazer o que quer. Onde é que vai surgir a palavra respeitabilidade à soberania dos países? Então eu pretendo discutir esses assuntos com o presidente Trump se ele colocar na mesa”, afirmou.