Os primeiros resultados das eleições legislativas da Argentina, realizadas neste domingo (26), indicam que o partido do presidente do país, Javier Milei, A Liberdade Avança, obteve vitórias expressivas e deve ampliar sua base no Congresso Nacional.
As eleições deste domingo renovam cerca de metade da Câmara dos Deputados da Argentina — 127 das 257 cadeiras — e um terço do Senado — 24 das 72 cadeiras.
Com cerca de 91% das urnas apuradas, os dados divulgados pela autoridade eleitoral argentina apontam que o partido de Milei conquistou aproximadamente 40% dos votos, o que corresponde a 64 cadeiras na Câmara. Já a coligação opositora Força Pátria, que reúne os setores do peronismo, obteve 24% dos votos, garantindo 31 cadeiras.
A chapa governista lidera a apuração na maioria das províncias argentinas, inclusive na maior delas, Buenos Aires — onde Milei havia sido derrotado nas eleições locais de setembro.
No Senado, A Liberdade Avança lidera em seis das oito províncias que tiveram cadeiras em disputa.
Segundo a autoridade eleitoral, a participação foi de 67% dos eleitores. Os números foram divulgados por volta das 21h20, pelo horário de Brasília.
De acordo com os jornais argentinos Clarín e La Nación, o desempenho do partido do presidente Milei superou as expectativas das pesquisas anteriores à eleição. O resultado reforça a possibilidade de ampliação da base parlamentar de Milei e pode facilitar a tramitação das reformas econômicas propostas por seu governo.
A eleição teve caráter de referendo sobre o governo Milei, que está em seu segundo ano de mandato. O presidente argentino votou pela manhã no bairro de classe média de Almagro, em Buenos Aires. Ele acenou para o público, mas não deu declarações à imprensa, segundo a agência Reuters.
Às 18h50, horário local, Milei chegou ao hotel Libertador, na capital argentina, onde acompanhou a apuração dos votos ao lado de membros de seu partido.
Antes da eleição, A Liberdade Avança contava com 37 dos 257 deputados e apenas seis dos 72 senadores. A oposição peronista, por sua vez, detém a maior minoria em ambas as Casas e tem metade de suas cadeiras na Câmara em disputa.
Nos últimos dois meses, o Congresso da Argentina rejeitou vetos presidenciais a projetos que ampliavam recursos para universidades públicas, assistência médica pediátrica e apoio a pessoas com deficiência. Para impedir futuras anulações de vetos, o partido do presidente precisa de pelo menos um terço dos votos em ambas as Casas, o que exigirá a formação de alianças. Nesse cenário, A Liberdade Avança frequentemente conta com o apoio do PRO, partido centrista liderado pelo ex-presidente Mauricio Macri.




