O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reúnem-se neste domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia, em meio à expectativa de um avanço diplomático que possa reduzir as barreiras comerciais impostas ao Brasil. O encontro ocorre em um momento em que os dois países enfrentam a maior crise diplomática em dois séculos de relações bilaterais, marcada pelas tarifas impostas por Washington ao Brasil, pelas declarações de Lula com críticas ao dólar americano e pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Esta será a primeira reunião presencial entre os dois líderes desde a reeleição de ambos. Lula e Trump participam da 47ª Cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático). A Casa Branca confirmou o encontro, previsto, segundo apuração da The São Paulo News, para ocorrer entre 6h e 7h da manhã, no horário de Brasília (17h e 18h no horário local), no Centro de Convenções da capital malaia, considerado “campo neutro” por diplomatas de ambos os países.
De acordo com assessores que acompanham o presidente brasileiro, a conversa deve ser breve e marcada por cordialidade. Interlocutores de Lula classificam a reunião como um “quebra-gelo” diplomático, sem expectativas de acordos imediatos. Está prevista a divulgação de uma nota à imprensa após o encontro.
Na noite de sábado (25), Lula declarou que o governo brasileiro “ainda não recebeu exigências” de Washington sobre a redução ou retirada das sobretaxas de 40% aplicadas aos produtos brasileiros. “Não tem exigência dele e não tem exigência minha ainda. Vamos colocar na mesa os problemas e tentar encontrar uma solução. Pode ficar certo que vai ter uma solução”, afirmou o petista.
Trump, por sua vez, disse durante o voo entre Washington e Kuala Lumpur, a bordo do avião presidencial Air Force One, que está aberto a revisar as tarifas sobre produtos brasileiros, mas que a mudança poderá ocorrer “sob as circunstâncias certas”, demonstrando disposição para negociar.
A reunião deverá concentrar-se em temas econômicos, embora também aborde política regional — em meio às tensões entre os Estados Unidos e o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela — e questões ambientais. O governo brasileiro busca restabelecer o diálogo direto com Washington e obter uma sinalização prática de redução das tarifas que afetam a indústria nacional.
Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, o setor produtivo vê o encontro como “uma oportunidade de destravar o comércio e restabelecer previsibilidade”. Ele afirmou: “Estamos otimistas”.




