A Polônia, país membro da OTAN, alertou o presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça-feira (21), sobre os riscos de utilizar seu espaço aéreo para se deslocar a uma cúpula na Hungria com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que poderia ser obrigada a executar um mandado de prisão internacional caso ele o fizesse.
Em contrapartida, a Bulgária indicou que estaria disposta a permitir que Putin sobrevoasse seu território se a cúpula ocorresse na Hungria, segundo declarou o ministro das Relações Exteriores, Georg Georgiev.
Trump anunciou, na semana passada, que pretende se encontrar com Putin em Budapeste, buscando negociar o fim da guerra da Rússia na Ucrânia.
O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandado de prisão contra Putin, acusando-o de deportar ilegalmente centenas de crianças ucranianas. A Rússia não reconhece a jurisdição do tribunal e nega as acusações.
“Não posso garantir que um tribunal polonês independente não ordenará ao governo que escolte tal aeronave para entregar o suspeito ao tribunal em Haia”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, à Rádio Rodzina.
O mandado do TPI obriga os Estados-membros do tribunal a prender Putin caso ele pise em seu território. “E, portanto, se esta cúpula acontecer, espero que, com a participação da vítima da agressão, a aeronave use uma rota diferente”, acrescentou Sikorski.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, mantém relações mais próximas com a Rússia do que com outros países da União Europeia. Budapeste garantiu que Putin poderá entrar na Hungria para a cúpula e retornar ao país de origem em segurança.
Para evitar o espaço aéreo ucraniano, a delegação russa precisaria sobrevoar ao menos um país da UE. Todos os Estados-membros da União Europeia são integrantes do TPI, embora a Hungria esteja em processo de saída.
Georgiev indicou que a Bulgária estaria pronta a permitir o uso de seu espaço aéreo por Putin, caso isso contribua para a manutenção da paz na Ucrânia. “Se a condição para isso é ter uma reunião, o mais lógico é que essa reunião seja mediada de todas as maneiras possíveis”, declarou, segundo a agência local BTA.
O Ministério das Relações Exteriores da Bulgária afirmou que ainda não recebeu qualquer solicitação formal de viagem aérea da Rússia.




