O crescimento econômico da China desacelerou para o ritmo mais fraco em um ano no terceiro trimestre, em linha com as expectativas do mercado. A retração foi atribuída à prolongada crise no setor imobiliário e às crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos — o país mais rico do mundo —, fatores que continuam a enfraquecer a demanda interna e externa. O cenário mantém pressão sobre as autoridades chinesas para a adoção de novos estímulos capazes de sustentar o ímpeto econômico da segunda maior economia do planeta.
Embora o governo chinês tenha introduzido medidas modestas de estímulo em 2025, o desempenho foi parcialmente sustentado por exportações resilientes e pela recuperação dos mercados acionários. No entanto, o agravamento das disputas comerciais entre Pequim e Washington representa riscos significativos. Além disso, o país enfrenta o desafio estrutural de reequilibrar sua economia, historicamente dependente da indústria e das exportações, em direção a um modelo baseado no consumo doméstico.
De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (20) pelo National Bureau of Statistics (NBS, na sigla em inglês), o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,8% entre julho e setembro, após uma expansão de 5,2% no segundo trimestre. O resultado ficou em linha com as projeções de analistas consultados pela agência Reuters. Na comparação trimestral, a economia avançou 1,1%, acima da previsão de 0,8% e do ganho revisado de 1,0% nos três meses anteriores.
As novas tensões comerciais com os Estados Unidos expuseram as vulnerabilidades de uma economia chinesa ainda desequilibrada. O aumento das tarifas imposto por Washington já afeta exportadores chineses, levando muitos a buscar diversificação em novos mercados. Apesar de uma leve recuperação das exportações em setembro, os indicadores recentes apontam perda de dinamismo e persistência de pressões deflacionárias, mesmo após tentativas de reduzir o excesso de capacidade produtiva e a competição intensa entre empresas chinesas.
O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou elevar em mais 100% as tarifas sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro. Entretanto, fontes do governo dos EUA informaram à Reuters que ambos os países demonstram disposição para reduzir as tensões comerciais.
Entre esta segunda e quinta-feira (23), líderes chineses se reúnem a portas fechadas para discutir o 15º Plano Quinquenal, que deverá priorizar a indústria de alta tecnologia diante da crescente rivalidade com Washington. Investidores aguardam ainda a reunião do Politburo — o órgão máximo de decisão do Partido Comunista Chinês — e a Conferência Central de Trabalho Econômico da China, em dezembro, que devem indicar os rumos da política econômica para 2026.
Dados complementares de setembro mostraram que a produção industrial chinesa cresceu 6,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, superando a previsão de 5,0%. Já as vendas no varejo avançaram 3,0%, em desaceleração frente aos 3,4% registrados em agosto, conforme estimativas oficiais.




