China expulsa nove generais em maior repressão militar das últimas décadas

A maioria dos expulsos eram generais de três estrelas e membros do Comitê Central.


O Partido Comunista Chinês anunciou na sexta-feira (17) a expulsão de nove generais de alto escalão, em uma das maiores repressões públicas contra os militares nas últimas décadas. Segundo comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa do país, os oficiais são suspeitos de envolvimento em crimes financeiros graves.

A maioria dos expulsos ocupava o posto de general de três estrelas e integrava o Comitê Central do partido, órgão responsável por decisões estratégicas. Além da exclusão partidária, todos foram destituídos de suas funções no Exército.

Embora a medida tenha sido apresentada como parte de uma iniciativa anticorrupção, analistas apontam que ela também reflete um possível expurgo político. O anúncio ocorreu às vésperas do plenário do partido, no qual o Comitê Central discutirá o novo plano de desenvolvimento econômico e deliberará sobre a composição de seus membros.

Os generais afastados são: He Weidong, vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC); Miao Hua, diretor do Departamento de Trabalho Político do CMC; He Hongjun, vice-diretor executivo do mesmo departamento; Wang Xiubin, vice-diretor executivo do Centro de Comando de Operações Conjuntas; Lin Xiangyang, comandante do Teatro Oriental; Qin Shutong, comissário político do Exército; Yuan Huazhi, comissário político da Marinha; Wang Houbin, comandante das Forças de Foguetes; e Wang Chunning, comandante da Força Policial Armada.

Entre eles, He Weidong é o mais proeminente, sendo o segundo homem mais poderoso nas forças armadas da China, atrás apenas do líder Xi Jinping, que também preside a CMC. Visto pela última vez em março, sua prolongada ausência alimentou especulações sobre uma investigação interna. He também integrava o Politburo, o principal órgão de decisão do Partido Comunista, tornando-se o primeiro membro ativo do grupo a ser investigado.

O comunicado afirmou que os oficiais “violaram gravemente a disciplina partidária e eram suspeitos de crimes graves relacionados ao dever, envolvendo uma quantia extremamente grande de dinheiro, de natureza extremamente séria e com consequências extremamente prejudiciais”. O texto acrescentou que os nove enfrentarão processo militar, classificando as punições como uma “conquista significativa na campanha anticorrupção do partido e dos militares”.

A Comissão Militar Central vem sinalizando há meses o endurecimento das medidas internas, ao emitir diretrizes em julho que pediam a eliminação de “influência tóxica” nas forças armadas da China. A nova repressão sucede expurgos menores ocorridos nos últimos anos, incluindo os dos ex-ministros da Defesa Wei Fenghe e Li Shangfu.

O movimento também ecoa afastamentos no campo civil, como o desaparecimento do ex-ministro das Relações Exteriores da China, Qin Gang, em 2023. O diplomata Liu Jianchao, cotado como possível sucessor, não é visto desde julho.