Após recuo, China concorda em abrir novas negociações com os EUA

A decisão ocorre enquanto EUA e China tentam evitar nova guerra comercial.


A China anunciou neste sábado (18) que concordou em realizar uma nova rodada de negociações comerciais com os Estados Unidos “o mais rápido possível”. A decisão ocorre em meio aos esforços das duas maiores economias do mundo para evitar uma nova escalada na guerra comercial, intensificada após o presidente americano, Donald Trump, impor tarifas de 100% sobre produtos chineses.

O anúncio foi feito após uma videoconferência entre o vice-premiê chinês e principal negociador de Pequim, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. Segundo a agência estatal Xinhua, o diálogo envolveu “trocas francas, profundas e construtivas”.

Horas antes, Trump havia reconhecido que a tarifa de 100% sobre produtos chineses “não é sustentável”, mas afirmou ter sido “forçado a adotá-la” devido à postura agressiva de Pequim. O presidente americano acusou a China de buscar vantagens injustas em acordos comerciais e declarou que pretende renegociar os termos com o país asiático, seguindo a linha de acordos já firmados com outras nações desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro. O Brasil está entre esses países: o chanceler Marco Vieira iniciou tratativas com os Estados Unidos durante um encontro com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, nesta semana.

Em entrevista à Fox Business, Trump voltou a defender um “acordo justo” entre Washington e Pequim e admitiu não saber qual será o desfecho do atual impasse comercial. O líder americano confirmou que deve se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, nas próximas duas semanas, em encontro previsto para ocorrer na Coreia do Sul. “Vamos ver o que acontece”, afirmou Trump.

Na sexta-feira (17), a missão da China junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) criticou os Estados Unidos, alegando que o país tem enfraquecido o sistema multilateral de comércio baseado em regras desde que o novo governo americano assumiu o poder em 2025. Segundo Pequim, Washington tem recorrido a políticas discriminatórias, tarifas de retaliação e sanções unilaterais que violam compromissos firmados no âmbito da OMC.

A delegação chinesa informou ainda que o Ministério do Comércio da China publicará um relatório avaliando o cumprimento das normas comerciais pelos Estados Unidos em 11 áreas distintas. O documento deverá reforçar o apelo para que Washington respeite as regras da OMC e coopere com outros países-membros no fortalecimento da governança econômica global.

Nos mercados asiáticos, o clima foi de cautela. As bolsas da China e de Hong Kong encerraram a semana com fortes quedas, registrando o pior desempenho desde abril. O índice de Xangai recuou quase 2%, o CSI300 caiu pouco mais de 2% e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu cerca de 2,5%, acumulando queda semanal de 4%.

Analistas atribuem o movimento à incerteza sobre as negociações com os Estados Unidos e à venda de ações de empresas de inteligência artificial para realização de lucros. A expectativa agora se volta para a reunião do Partido Comunista Chinês, que ocorrerá na próxima semana, de segunda-feira (20) a quinta-feira (23), e deverá discutir o novo plano econômico do país.

De acordo com pesquisa da agência Reuters, a economia chinesa registrou no terceiro trimestre o ritmo de crescimento mais lento em um ano, com expansão estimada em 4,8% na comparação anual, abaixo dos 5,2% do trimestre anterior. O desempenho pressiona o governo chinês por novos estímulos e coloca em risco a meta oficial de crescimento anual de cerca de 5%. A previsão para 2026 é de desaceleração adicional, com crescimento projetado de apenas 4,3%.