Trump ameaça “entrar e matar” o Hamas após execuções em Gaza

Dois dias antes, Trump afirmou que o Hamas deveria se desarmar ou seria desarmado “de forma violenta”.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o grupo terrorista Hamas em uma publicação na rede Truth Social na quinta-feira (16). O republicano reafirmou a promessa de agir contra o grupo após a divulgação de vídeos que mostram homens armados executando civis nas ruas da Cidade de Gaza, capital do território palestino.

Trump já havia declarado dois dias antes que o Hamas deveria se desarmar ou seria desarmado “de forma violenta”. Em sua nova postagem, escreveu: “Se o Hamas continuar a matar pessoas em Gaza, o que não era o acordo, não teremos escolha a não ser entrar e matá-los”. O presidente norte-americano, no entanto, não especificou se tropas americanas atuariam em Gaza ou se a responsabilidade caberia a Israel, aliado estratégico dos EUA.

O pronunciamento ocorre dias após Trump e outros líderes mundiais firmarem um acordo de cessar-fogo no Oriente Médio, sem a presença de Israel ou do Hamas. O presidente norte-americano afirmou que a primeira fase do pacto, voltada à interrupção dos combates, foi concluída e que a segunda etapa tratará da reconstrução de Gaza.

A assinatura do cessar-fogo ocorreu poucas horas depois de o Hamas libertar 20 reféns israelenses vivos. Dos 48 sequestrados, 28 morreram, e Israel ainda aguarda a devolução de todos os corpos. Em contrapartida, o governo israelense libertou cerca de 2 mil prisioneiros palestinos.

Nesta semana, o Hamas executou civis em um cruzamento no centro de Gaza, episódio confirmado pela emissora BBC Verify. O grupo afirmou que a ação visava conter a “anarquia” na Faixa de Gaza. Analistas apontam que o movimento busca reafirmar sua autoridade diante de facções armadas rivais.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também reagiu, afirmando que “o combate ainda não terminou” e ameaçando o Hamas caso o grupo não devolva os corpos dos reféns mortos. “Quem levantar a mão contra nós sabe que pagará um preço elevado”, declarou durante uma cerimônia em Jerusalém.

A demora do Hamas na entrega dos restos mortais dos reféns ameaça o cessar-fogo. Até o momento, apenas nove dos 28 corpos foram entregues à Cruz Vermelha. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, advertiu que o país, em coordenação com os Estados Unidos, retomará os combates se o acordo não for cumprido.

O Hamas afirma ter devolvido todos os corpos aos quais teve acesso e diz necessitar de equipamentos especializados para recuperar os demais sob as ruínas de Gaza. Exames forenses recentes indicaram que um dos corpos entregues não pertence a nenhum dos reféns israelenses identificados.