Cientistas da Universidade de Massachusetts Amherst (UMass), nos Estados Unidos, desenvolveram uma vacina experimental com potencial para prevenir diversos tipos de câncer, incluindo melanoma, câncer de pâncreas e câncer de mama triplo negativo. O estudo, publicado na revista Cell Reports Medicine na última quinta-feira (9), aponta que a tecnologia pode representar um marco na imunização preventiva contra tumores.
De acordo com o jornal britânico Daily Mail, que divulgou a pesquisa na quarta-feira (15), a vacina utiliza nanopartículas compostas por moléculas de gordura capazes de transportar dois adjuvantes — substâncias que estimulam o sistema imunológico. Em testes realizados com camundongos, até 88% dos animais vacinados permaneceram livres de tumores, dependendo do tipo de câncer. O tratamento também reduziu ou impediu completamente a disseminação da doença pelo organismo.
Nos experimentos, as nanopartículas foram combinadas a um antígeno que ativa a resposta imune contra células cancerígenas. Após a imunização, os camundongos foram expostos a diferentes tipos de tumor. Entre os animais vacinados contra melanoma, 80% ficaram livres da doença e sobreviveram por mais de 250 dias, enquanto os que receberam vacinas tradicionais ou não foram imunizados desenvolveram tumores e morreram em até 35 dias.
Uma segunda versão da vacina, baseada em lisado tumoral, também apresentou resultados expressivos: 88% dos camundongos com câncer de pâncreas ficaram livres do tumor; 75% dos que tinham câncer de mama triplo negativo não desenvolveram a doença; e 69% dos expostos ao melanoma permaneceram saudáveis.
As vacinas, em geral, contêm dois componentes essenciais: o antígeno, que ensina o sistema imunológico a reconhecer o inimigo, e o adjuvante, que intensifica essa resposta. No caso da nova vacina, as nanopartículas exercem ambas as funções, apresentando o antígeno e estimulando uma reação imunológica robusta contra as células cancerígenas, treinando o corpo para eliminá-las antes da formação de tumores.
Segundo a pesquisadora Prabhani Atukorale, professora assistente de engenharia biomédica e autora principal do estudo, o objetivo é transformar a imunização em uma estratégia preventiva, e não apenas terapêutica. “Os resultados são muito empolgantes e mostram um caminho possível para impedir que tumores se formem”, afirmou o coautor Griffin Kane à 404 Media, uma mídia independente dos EUA.
Embora os resultados sejam promissores, os cientistas ressaltam que a pesquisa ainda se encontra em fase pré-clínica. Para acelerar o desenvolvimento e viabilizar testes em humanos, a equipe criou a startup NanoVax Therapeutics. A expectativa é que, no futuro, a tecnologia possa ser adaptada para diferentes tipos de câncer e utilizada de forma preventiva em pessoas com predisposição genética ou histórico familiar da doença.




