PIB da China deve registrar menor crescimento em anos, diz Reuters

A projeção aponta que o PIB chinês deve crescer 4,3% no quarto trimestre e 4,8% no ano, abaixo da meta de 5%.


A economia da China provavelmente registrou seu ritmo de crescimento mais fraco em um ano no terceiro trimestre, com a desaceleração devendo se aprofundar e ameaçar a meta oficial de crescimento anual do país, segundo pesquisa da agência Reuters divulgada nesta quinta-feira (16). O cenário aumenta a pressão por novos estímulos, enquanto a guerra comercial com os Estados Unidos afeta a confiança na China.

Pequim implementou medidas modestas de apoio neste ano para preservar espaço político para choques futuros, aproveitando exportações resilientes e mercados de ações fortes. No entanto, novas tensões comerciais entre EUA e China representam riscos adicionais. O Produto Interno Bruto (PIB) entre julho e setembro está previsto em 4,8% na comparação anual, o ritmo mais lento desde o terceiro trimestre de 2024 e abaixo da taxa de 5,2% registrada no segundo trimestre, de acordo com pesquisa da Reuters junto a 45 economistas.

A projeção ainda supera a previsão de crescimento de 4,5% divulgada em julho. Larry Hu, economista-chefe para a China na Macquarie, grupo financeiro com sede em Sydney, Austrália, que prevê uma queda para 4,5% no terceiro trimestre, afirmou: “Para atingir a meta de crescimento anual, os formuladores de políticas podem lançar mais medidas de miniestímulo no quarto trimestre, especialmente para habitação. A longo prazo, Pequim usará estímulos internos para amortecer choques externos, a fim de manter um crescimento relativamente estável.”

A projeção indica que o crescimento do PIB chinês pode desacelerar para 4,3% no quarto trimestre, elevando a expansão anual para 4,8%, abaixo da meta oficial de cerca de 5%. Espera-se ainda que o crescimento econômico diminua para 4,3% em 2026. As tensões comerciais com Washington se intensificaram após a China ampliar controles de exportação de terras raras, levando o presidente dos EUA, Donald Trump, a ameaçar aumentar tarifas sobre produtos chineses em mais 100% a partir de 1º de novembro. Autoridades americanas, entretanto, sinalizaram que ambos os países estão dispostos a reduzir a tensão na disputa tarifária.

A forte dependência da China em manufatura e demanda externa a torna vulnerável a choques. Exportadores já sentem o impacto das tarifas impostas pelos EUA no início do ano, forçando diversificação para novos mercados. Wang Pengjie, gerente de vendas de um exportador de tapetes automotivos, afirmou à Reuters que a empresa perdeu de 60% a 70% dos pedidos nos EUA, tentando compensar a perda expandindo para Sudeste Asiático, México e Oriente Médio. Mesmo assim, Wang destacou que esses mercados “não podem compensar”, especialmente devido à concorrência intensa entre produtores chineses. “Também precisamos competir mais em preço”, acrescentou, destacando foco em produtos de alta qualidade para enfrentar a guerra de preços.

Em termos trimestrais, a economia da China deve ter crescido 0,8% no terceiro trimestre, desacelerando frente aos 1,1% do segundo trimestre. O governo chinês divulgará os dados do PIB, vendas no varejo, produção industrial e investimentos de setembro às 23h, pelo horário de Brasília, na segunda-feira (20).

Líderes chineses realizarão reunião a portas fechadas de segunda a quinta-feira (23) para discutir o 15º plano quinquenal, que priorizará manufatura de alta tecnologia frente à rivalidade com os EUA. Apesar da recuperação das exportações em setembro, indicadores recentes mostram que a economia chinesa continua enfraquecida, prejudicada pela crise imobiliária prolongada e tensões comerciais. Pressões deflacionárias persistem, reforçando a necessidade de políticas adicionais para aumentar a confiança.

O Banco Popular da China (PBOC), que manteve a taxa básica estável por quatro meses consecutivos, deve adotar medidas de flexibilização modestas nas próximas semanas.