O governo de Donald Trump autorizou secretamente a CIA, a agência central de inteligência dos EUA, a conduzir ações encobertas na Venezuela, segundo autoridades americanas ouvidas pelo jornal The New York Times (NYT) nesta quarta-feira (15). A medida representa uma nova escalada na campanha de pressão contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro.
De acordo com a reportagem, a autorização permite que a CIA realize operações letais e conduza missões no Caribe, isoladamente ou em conjunto com eventuais operações militares. Segundo o jornal, ainda não se sabe se alguma ação já está em andamento, mas o aval coincide com o planejamento do Exército americano para uma possível intensificação das atividades na região.
Atualmente, cerca de 10 mil soldados dos EUA estão posicionados no Caribe, a maioria em bases em Porto Rico, com o apoio de fuzileiros navais embarcados em navios de assalto anfíbio. A frota norte-americana inclui oito navios de guerra e um submarino nuclear. Segundo autoridades ouvidas pelo jornal, as novas prerrogativas foram concedidas por meio de uma “descoberta presidencial”, documento altamente confidencial que detalha a extensão das operações secretas.
Trump encerrou neste mês as negociações diplomáticas com o governo Maduro, frustrado com a recusa do venezuelano em renunciar e com a negação do ditador em admitir envolvimento no tráfico de drogas. O governo americano oferece US$ 50 milhões por informações que levem à prisão e condenação de Maduro, acusado de narcotráfico nos Estados Unidos.
A estratégia para a Venezuela foi desenvolvida pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com apoio do diretor da CIA, John Ratcliffe. Durante sua sabatina de confirmação no Senado dos Estados Unidos, Ratcliffe afirmou que tornaria a agência “menos avessa a riscos e mais disposta a conduzir ações secretas quando ordenada pelo presidente norte-americano, indo a lugares que ninguém mais pode ir e fazendo coisas que ninguém mais pode fazer”. A Casa Branca e a CIA não comentaram o conteúdo da matéria do NYT.
Embora a CIA tradicionalmente atue em parceria com governos latino-americanos no combate ao tráfico, a autorização de Trump amplia o escopo de suas operações. O histórico da agência na região, porém, é controverso: envolveu desde o golpe que derrubou o presidente Jacobo Árbenz, na Guatemala, em 1954, até a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em 1961.
O governo Trump declarou ao Congresso que os Estados Unidos estão em “conflito armado com cartéis de drogas”, classificados como “grupos armados não estatais” cujas ações “constituem um ataque armado contra os Estados Unidos”. Essa justificativa, segundo o The New York Times, oferece respaldo jurídico para a ampliação das operações secretas.
Especialistas afirmam que as chamadas descobertas presidenciais são instrumentos do poder executivo de difícil supervisão. Apenas alguns membros do Congresso dos EUA são informados, sem poder de divulgação pública. Já as ações militares, como os recentes ataques a barcos venezuelanos acusados de tráfico — que já deixaram 27 mortos — costumam ser oficialmente reconhecidas, diferentemente das operações da CIA, mantidas sob sigilo.




