O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira (13) que manterá conversas com aliados internacionais sobre a China ao longo da semana, em meio ao aumento das tensões decorrentes das recentes restrições comerciais impostas por Pequim.
Em entrevista à emissora Fox Business, Bessent descreveu o cenário atual como “China versus o mundo” e revelou que já iniciou diálogos com parceiros estratégicos a respeito dos controles de exportação adotados pelo governo chinês.
“Esperamos apoio da Europa e da Índia em vez da China”, declarou o secretário norte-americano, ressaltando que “não deixaremos as restrições de exportação da China continuarem”.
Apesar do tom firme, Bessent demonstrou otimismo quanto à possibilidade de reduzir as tensões bilaterais. Segundo ele, há planos para um encontro com seu homólogo chinês de comércio, e as comunicações diplomáticas permanecem ativas. “Linhas de comunicação foram abertas”, afirmou, acrescentando que “a China está aberta a discussões sobre isso”.
As declarações ocorrem após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar, na sexta-feira (10), a imposição de uma tarifa adicional de 100% sobre as importações chinesas, com início previsto para 1º de novembro. A medida, segundo o republicano, responde à “posição extraordinariamente agressiva da China no comércio”, especialmente no que se refere a elementos de terras raras e outros materiais estratégicos.
Bessent indicou que os Estados Unidos possuem alternativas caso as negociações não avancem. “Caso contrário, temos alavancas substanciais que podemos acionar”, advertiu, acrescentando que “poderíamos agir de forma mais agressiva do que a China” e que “tudo está sobre a mesa”.
No domingo (12), o governo americano sinalizou disposição para um possível acordo com Pequim, embora tenha reiterado que os controles de exportação chineses continuam sendo um obstáculo central às tratativas. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, reforçou o apelo ao diálogo, pedindo que a China “escolha o caminho da razão” diante da crescente disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Em publicação no Truth Social, Trump também adotou um tom conciliador ao sugerir uma solução pacífica para o impasse. “Não se preocupem com a China, vai ficar tudo bem! O respeitadíssimo Presidente Xi acabou de passar por um momento ruim. Ele não quer uma Depressão para o seu país, e eu também não. Os EUA querem ajudar a China, não prejudicá-la!!!”, escreveu o americano.
NOVA TARIFA
A nova tarifa representa mais um capítulo da guerra comercial entre Washington e Pequim. Na mensagem em sua rede social, Trump afirmou que a medida poderá entrar em vigor antes do prazo estabelecido, dependendo de “quaisquer ações” tomadas pela China.
“Acaba de ser divulgado que a China adotou uma posição extraordinariamente agressiva no comércio ao enviar uma carta extremamente hostil ao mundo, afirmando que, a partir de 1º de novembro de 2025, imporia controles de exportação em larga escala sobre praticamente todos os produtos que produz, e alguns que nem são fabricados por eles”, escreveu o presidente norte-americano.
“Isso afeta todos os países, sem exceção, e obviamente foi um plano elaborado por eles há anos. É absolutamente inédito no comércio internacional e uma vergonha moral no trato com outras nações”, acrescentou o republicano.
Trump também anunciou que os Estados Unidos adotarão, a partir da mesma data, controles de exportação “sobre todo e qualquer software crítico”, em resposta direta à decisão chinesa.




