Tiroteios foram registrados ao longo da fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão na noite deste sábado (11), horário local, após forças do Talibã afegão atacarem postos paquistaneses, segundo autoridades de segurança de ambos os países. O confronto ocorreu dias depois de um ataque aéreo paquistanês em Cabul, capital do Afeganistão.
Autoridades de segurança do Paquistão afirmaram que responderam “com força total” ao que classificaram como disparos não provocados vindos do Afeganistão. De acordo com relatos, a troca de tiros se estendeu por mais de seis pontos ao longo da fronteira entre os dois países.
As forças do Talibã declararam ter capturado três postos de fronteira paquistaneses, enquanto autoridades paquistanesas afirmaram que seus militares destruíram diversas posições afegãs. Imagens de vídeo divulgadas por autoridades paquistanesas mostraram disparos de artilharia iluminando o céu noturno em direção ao território afegão.
RETALIAÇÃO DO AFEGANISTÃO
Enayatullah Khowarazmi, porta-voz do Ministério da Defesa do Afeganistão, afirmou que a operação foi uma resposta à violação do espaço aéreo afegão por parte do Paquistão. Ele declarou que os combates terminaram por volta da meia-noite, horário local, 16h30 pelo horário de Brasília, deste sábado.
“Se o lado oposto violar novamente o espaço aéreo do Afeganistão, nossas forças armadas estão preparadas para defender seu espaço aéreo e darão uma resposta forte”, disse Khowarazmi.
Até o momento, não houve resposta oficial de Islamabad sobre o término dos confrontos. A fronteira entre os dois países se estende por cerca de 2.600 quilômetros.
O Paquistão acusa o governo do Talibã de abrigar militantes do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) que, segundo Islamabad, recebem apoio da Índia — adversária histórica do Paquistão. Nova Déli nega a acusação, enquanto o Talibã sustenta que não permite o uso de seu território para ataques contra outras nações.
Uma autoridade de segurança paquistanesa informou à agência Reuters nesta semana que o ataque aéreo em Cabul teve como alvo o líder do TTP, Noor Wali Mehsud, que viajava em um veículo. Ainda não se sabe se ele sobreviveu. O governo paquistanês havia advertido Cabul de que sua “paciência havia se esgotado”.
A visita do ministro das Relações Exteriores do governo Talibã à Índia nesta semana — a primeira desde que o grupo assumiu o poder em 2021 — intensificou a preocupação em Islamabad. Ambos os lados manifestaram interesse em estreitar relações diplomáticas.
O Paquistão tem registrado um aumento nos ataques de militantes desde a ascensão do Talibã em Cabul. Na sexta-feira (10), o governo afegão acusou Islamabad de realizar bombardeios em seu território e alertou para “consequências”, enquanto o Paquistão afirmou estar agindo contra grupos extremistas.
Onze soldados paquistaneses morreram na sexta-feira em confrontos com militantes islâmicos na região de Tirah, próxima à fronteira afegã.
O Ministério da Defesa do Afeganistão classificou os ataques aéreos em Cabul e na província de Paktika como “um ato violento e provocativo sem precedentes na história do Afeganistão e do Paquistão”. O comunicado alertou que, se a situação se agravar, “as consequências serão de responsabilidade dos militares paquistaneses”.
O Talibã afirmou que não houve vítimas nos ataques, enquanto autoridades paquistanesas confirmaram que o alvo era o veículo utilizado por Noor Wali Mehsud, sem confirmar seu destino.




