O advogado criminalista Luiz Fernando Pacheco, de 51 anos, foi encontrado morto na madrugada de quarta-feira (1º), em Higienópolis, região central de São Paulo.
Pacheco era sócio-fundador do Grupo Prerrogativas, coletivo de advogados progressistas criado em 2014 e conhecido por defender o ex-deputado federal José Genoino (PT) durante o escândalo do mensalão.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a polícia foi acionada após o advogado passar mal na rua, apresentando dificuldades para respirar. Ele foi socorrido pelo Samu e levado ao Pronto-Socorro da Santa Casa, mas não resistiu. O caso foi inicialmente registrado como morte súbita pelo 78º Distrito Policial.
O advogado tinha um boletim de ocorrência de desaparecimento registrado em 30 de setembro. Integrantes do Grupo Prerrogativas informaram que ele foi encontrado sem documentos.
Colegas afirmaram estar profundamente abalados com a notícia e descreveram Pacheco como “solidário, generoso e extremamente inteligente”. Reconhecido pela defesa das prerrogativas da advocacia e do direito de defesa, iniciou a carreira em 1994 no escritório do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, onde se tornou sócio em 2000. Em 2013, fundou o escritório Luiz Fernando Pacheco Advogados, especializado em direito penal.
“Perdemos um amigo ímpar e um guerreiro do bem. A Ordem está em luto e o melhor que faremos é seguir honrando a luta pelo direito de defesa e das prerrogativas da advocacia, causas que ele abraçou com paixão e ética”, declarou o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica.
Na OAB-SP, atuou desde 2015 em diferentes funções, chegando à presidência da Comissão de Direitos e Prerrogativas em 2022, na gestão de Patricia Vanzolini. Também ocupava a vice-presidência do Conselho Deliberativo do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) e integrou o Conselho Nacional Antidrogas da Presidência da República.
Investigações do 4º Distrito Policial revelaram, por meio de câmeras de segurança da rua Itambé, que o advogado foi abordado por uma dupla que anunciou um assalto. Ele teria reagido ou feito um movimento brusco e acabou agredido. Amigos relataram que Pacheco caiu no chão, sofreu novos golpes — incluindo uma cotovelada e um golpe de judô — e teve celular, carteira e relógio levados.
Socorrido por uma pessoa que passava pelo local, foi encaminhado à Santa Casa sem documentos e permaneceu 36 horas sem identificação. Sua identidade foi confirmada por exames digitais do Instituto Médico-Legal Ricardo Gumbleton Daunt.
A principal linha de investigação é a de latrocínio. A polícia apura se a queda provocou lesões nas costas e na cabeça que levaram à morte. Testemunhas ainda serão ouvidas para esclarecer os últimos passos do advogado, que teria consumido whisky em um bar antes do crime.




