BYD registra primeira queda trimestral de vendas em mais de cinco anos

É o primeiro recuo trimestral da BYD em mais de cinco anos.


As vendas da chinesa BYD no terceiro trimestre apresentaram recuo de 2,1% em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo cálculos da agência Reuters com base em documento divulgado pela empresa na quarta-feira (1º).

Este é o primeiro recuo trimestral da fabricante chinesa de carros híbridos e elétricos em mais de cinco anos. A líder do mercado chinês comercializou 1,106 milhão de veículos entre julho e setembro, marcando a primeira retração desde os impactos econômicos provocados pelo surto de Covid-19.

Em setembro, a BYD vendeu 5,88% menos veículos em relação ao mesmo mês de 2024, a primeira queda mensal desde fevereiro de 2024. A produção também caiu 8,47%, refletindo a desaceleração nas grandes fábricas da companhia.

O resultado reforça indícios de que o período de crescimento acelerado da BYD, impulsionado por incentivos governamentais do regime chinês à adoção de veículos elétricos, pode estar se aproximando do fim. A montadora enfrenta crescente dificuldade para se manter competitiva diante de uma guerra de preços no maior mercado automotivo do mundo.

A empresa revisou sua meta de vendas para 2025, reduzindo o objetivo em até 16%, para 4,6 milhões de veículos. O gerente-geral de marca e relações públicas, Li Yunfei, confirmou o novo objetivo ao jornal South China Morning Post.

No âmbito financeiro, a BYD registrou queda no lucro trimestral pela primeira vez em mais de três anos, impactada pela campanha do governo chinês contra a guerra de preços no setor automotivo. O lucro líquido somou 6,4 bilhões de yuans (US$ 894,74 milhões) no segundo trimestre, recuo de 29,9% em relação ao mesmo período de 2024. A receita cresceu 14%, atingindo 200,9 bilhões de yuans. No semestre, o lucro avançou 13,8% e a receita 23,3%.

Concorrente direta da Tesla, a BYD enfrenta pressão para encerrar a disputa de preços que reduziu margens em todo o setor. A montadora estabeleceu a meta de vender 5,5 milhões de veículos em 2025, mas alcançou 2,49 milhões até julho, equivalente a 45% do objetivo até então.