Oposição venezuelana discute plano com EUA para derrubar Maduro, diz NYT

Marco Rubio lidera a iniciativa e chama Maduro de ilegítimo e ligado ao narcotráfico.


A pressão de assessores próximos do presidente norte-americano Donald Trump para remover o ditador Nicolás Maduro da liderança da Venezuela se intensificou nos últimos dias, segundo informou o jornal The New York Times (NYT) nesta segunda-feira (29). Autoridades americanas afirmam que estão em discussão estratégias de uma campanha mais ampla, incluindo maior pressão militar, com o objetivo de forçar a saída do líder venezuelano.

A iniciativa é conduzida por Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos e conselheiro de segurança nacional, que argumenta que Maduro é um governante ilegítimo envolvido na exportação de drogas para os Estados Unidos, o que representaria uma “ameaça iminente”. Nas últimas semanas, o Exército americano lançou ataques contra embarcações civis acusadas de transportar drogas para gangues venezuelanas. Rubio estaria elaborando uma estratégia mais agressiva, com base em informações fornecidas pela CIA, a agência de inteligência dos EUA. O Pentágono já posicionou mais de 6.500 soldados na região.

O diretor da agência de inteligência norte-americana, John Ratcliffe, e Stephen Miller, principal conselheiro de política interna de Trump, apoiam a abordagem de Rubio. Fontes ouvidas pelo NYT informam que os militares americanos vêm planejando operações na Venezuela contra suspeitos de tráfico, embora a Casa Branca ainda não tenha autorizado tais ações. O governo Trump sustenta que Maduro está no topo da rede de cartéis do país, o que permitiria classificar sua remoção como parte de uma operação antidrogas.

Rubio cita frequentemente o indiciamento do Departamento de Justiça dos EUA em 2020 contra Maduro e outras autoridades por tráfico. Ele o descreve como “foragido da justiça americana” e chefe de “uma organização terrorista e de crime organizado que tomou conta de um país”. Paralelamente, lideranças da oposição venezuelana têm discutido com autoridades americanas sobre cenários de transição em caso de queda do atual governo de Maduro.

Trump já havia assinado, em julho deste ano, uma ordem secreta autorizando o uso da força contra cartéis rotulados como terroristas, o que levou ao reforço da presença naval dos EUA no Caribe. Desde setembro, três operações militares resultaram em ao menos 17 mortes, sem que a nacionalidade de todas as vítimas fosse revelada.

Pedro Urruchurtu, assessor de María Corina Machado, principal opositora de Maduro, declarou que a oposição possui um plano para as primeiras 100 horas após a saída de Maduro, prevendo a transferência de poder para Edmundo González, que concorreu nas eleições de 2024 e vive exilado na Espanha. Observadores independentes consideram que o pleito foi fraudulento e que González foi o verdadeiro vencedor. “Estamos falando de uma operação para desmantelar uma estrutura criminosa, e isso inclui uma série de ações e ferramentas. Isso tem que ser feito com o uso da força, porque de outra forma não seria possível derrotar um regime como o que estamos enfrentando”, disse Urruchurtu.

O Departamento de Estado norte-americano declarou que os EUA estão focados em combater cartéis e negou qualquer coordenação política com a oposição. “Maduro não é o líder legítimo da Venezuela; ele é um fugitivo da justiça americana que mina a segurança regional e envenena os americanos, e queremos vê-lo levado à justiça”, afirmou o porta-voz adjunto Tommy Pigott.

De acordo com o direito internacional, o uso da força em território estrangeiro exige consentimento do governo local ou aprovação do Conselho de Segurança da ONU. O governo Biden reconheceu González como vencedor legítimo das eleições de 2024, o que poderia ser usado como justificativa para uma eventual intervenção, caso este a endosse.