Brasil gera 147 mil empregos em agosto, queda de 38% e pior resultado em cinco anos

Foram 2,29 milhões de contratações e 2,09 milhões de demissões, queda de 38,3% frente a 2024.


A economia brasileira criou 147,4 mil empregos formais em agosto deste ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

No total, foram registradas 2,29 milhões de contratações e 2,09 milhões de demissões. O resultado representa queda de 38,3% em relação ao mesmo mês de 2024, quando foram abertas cerca de 239 mil vagas com carteira assinada, e é o pior desempenho para meses de agosto desde o início da série histórica, em 2020.

Os números de agosto nos últimos anos foram:

• 2020: 214,6 mil vagas fechadas;

• 2021: 387,8 mil empregos criados;

• 2022: 288,9 mil vagas abertas;

• 2023: 219,8 mil vagas abertas.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, destacou que o resultado indica desaceleração do mercado formal. “Cresce menos, mas continua crescendo”, afirmou. Segundo ele, há um pequeno impacto do tarifaço dos Estados Unidos em setores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, como calçados e madeira, mas o efeito mais significativo vem dos juros, atualmente em 15% ao ano, patamar mais alto em quase 20 anos.

No acumulado de janeiro a agosto, o país gerou 1,5 milhão de empregos formais, queda de 13,8% em relação ao mesmo período de 2024 (1,74 milhão). Este é o menor desempenho para os oito primeiros meses do ano desde 2023, quando foram criadas 1,39 milhão de vagas.

Ao fim de agosto, o Brasil registrava 48,68 milhões de empregos com carteira assinada, crescimento em relação a julho (48,55 milhões) e agosto de 2024 (47,35 milhões).

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que quatro dos cinco setores da economia registraram criação de empregos, com destaque para serviços, enquanto a agropecuária apresentou redução de vagas. O salário médio de admissão em agosto foi de R$ 2.295,01, com alta real em relação a junho (R$ 2.282,31) e agosto de 2024 (R$ 2.275,42).

Os números do Caged consideram apenas trabalhadores formais e não são comparáveis à taxa de desemprego divulgada pelo IBGE, que registrou 5,6% no trimestre encerrado em julho, a menor desde 2012.