Drones sobre a Dinamarca configuram ‘ataque híbrido’, diz ministro da Defesa

Os incidentes seguiram o fechamento dos aeroportos de Copenhague e Oslo na segunda (22).


Sobrevoos de drones provocaram novamente interrupções em aeroportos dinamarqueses na noite de quarta-feira (24), informaram autoridades, no mais recente episódio de avistamentos inexplicáveis sobre instalações sensíveis do país europeu.

Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira (25), autoridades detalharam que o Aeroporto de Aalborg — utilizado também pelas forças armadas do país — foi totalmente fechado no extremo norte da ilha de Zealand.

“Drones foram observados perto do Aeroporto de Aalborg e o espaço aéreo foi fechado”, informou a Polícia Nacional Dinamarquesa em comunicado. “A polícia está presente e investigando mais a fundo.”

O ministro da Justiça dinamarquês, Peter Hummelgaard, acrescentou que drones também foram avistados sobre as cidades de Esbjerg e Sonderborg, no sul do país, bem como sobre a base aérea Fighter Wing Skrydstrup, onde operam caças F-16. “O objetivo desse tipo de ataque híbrido é criar medo”, afirmou Hummelgaard. “É criar discórdia e nos deixar com medo.” O governo planeja “adquirir novas capacidades de detecção” e propor um projeto de lei que permita aos proprietários de infraestrutura “abater drones” quando necessário.

Os últimos incidentes ocorreram após o fechamento do Aeroporto de Copenhague, o maior do país, na segunda-feira (22) à noite, assim como do Aeroporto de Oslo, na Noruega. Ambos estão localizados ao longo dos estreitos de Skagerrak e Kattegat, áreas de rotas marítimas movimentadas entre o Mar do Norte e o Mar Báltico.

A origem e o propósito dos sobrevoos permanecem incertos. O ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, afirmou: “Não há dúvida de que tudo indica que se trata do trabalho de um agente profissional, quando se trata de uma operação tão sistemática em tantos locais praticamente ao mesmo tempo.” Segundo ele, trata-se de “um ataque híbrido usando diferentes tipos de drones” e a Dinamarca pode acionar a OTAN, inclusive pelo Artigo 4 da aliança. “Não temos evidências que estabeleçam uma ligação direta com a Rússia”, acrescentou.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou os incidentes como “um ataque sério contra a infraestrutura crítica na Dinamarca”. Ao ser questionada sobre a possível responsabilidade da Rússia, afirmou: “Não posso rejeitar de forma alguma que possa ser a Rússia.” O Kremlin negou envolvimento, considerando as acusações “infundadas”. A embaixada russa na Dinamarca sugeriu que os incidentes “são uma provocação encenada”.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que os aliados trabalham junto à Dinamarca para garantir a segurança da infraestrutura crítica.

Investigações apontaram três petroleiros com ligações à Rússia — Astrol 1, Pushpa e Oslo Carrier 3 — como possíveis pontos de lançamento. Dos três, apenas o Pushpa estava próximo a Aalborg durante os últimos sobrevoos. Sites de rastreamento indicaram que o navio seguia para o Canal da Mancha, com destino final a Vadinar, na Índia, navegando sob bandeira do Benim e usando também o nome Boracay. O governo ucraniano classifica o Pushpa como parte da “frota sombra” russa, utilizada para contornar sanções internacionais.