O programa do caça brasileiro Saab Gripen E/F voltou ao centro das discussões após a divulgação de que a Força Aérea Brasileira (FAB) avalia a aquisição de aeronaves usadas da geração anterior, o Gripen C/D, como medida para evitar um apagão na defesa aérea nacional. A alternativa é debatida em paralelo à compra de novos modelos, mas enfrenta obstáculos financeiros e estratégicos. Nesse contexto, até mesmo caças F-16 usados dos Estados Unidos têm sido analisados como solução emergencial.
Durante visita a Estocolmo na terça-feira (16), o comandante da FAB, brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, reuniu-se com o ministro da Defesa sueco, Pal Jonson, para revisar os termos da cooperação militar entre Brasil e Suécia. O encontro resultou na confirmação da compra sueca de quatro aeronaves de transporte Embraer C-390 Millennium, mas também manteve em pauta a ampliação da frota de Gripen para a FAB. Nos bastidores, ganhou força a hipótese de um arranjo híbrido, no qual o Brasil receberia parte dos novos caças E/F e complementaria a frota com unidades C/D de segunda mão.
O contrato original do Gripen, firmado em 2014, previa 36 aeronaves com transferência de tecnologia e montagem no Brasil. O cronograma inicial determinava as entregas até 2024, mas sucessivos atrasos já empurraram o prazo para 2032, um atraso de oito anos. Até o momento, dez caças Gripen E foram entregues, e o primeiro exemplar montado em Gavião Peixoto (SP) deve ser apresentado até o fim do ano. A FAB confirma que os aditivos elevaram os custos em mais de 13%, o equivalente a seis aeronaves adicionais, dificultando a expansão até a meta de 50 caças.
A possibilidade de recorrer a aviões usados não é inédita. Entre 2006 e 2013, o Brasil operou 12 Mirage 2000 franceses, retirados de serviço sem substitutos imediatos. Hoje, a FAB teme repetir o cenário com a aposentadoria dos AMX A-1. Nesse contexto, a compra de caças F-16 usados dos EUA voltou a ser considerada em 2023, mas representaria um revés político para a Suécia, que busca consolidar o Gripen como símbolo da cooperação bilateral. Com limitações financeiras no Brasil e pressões internacionais sobre a Suécia, a saída pode ser um compromisso intermediário: incorporar um pequeno lote de Gripen novos produzidos no país, complementados por aeronaves usadas suecas ou por um pacote temporário de F-16 norte-americanos.
No entanto, o desafio central permanece: evitar que a defesa aérea brasileira fique vulnerável até a conclusão do programa Gripen, já considerado o maior projeto militar da história recente da FAB.




