China impõe tarifas de até 62% sobre carne suína da União Europeia

Espanha, Holanda e Dinamarca estão entre os países mais atingidos.


A China anunciou nesta sexta-feira (5) a aplicação de tarifas antidumping provisórias de até 62,4% sobre importações de carne suína provenientes da União Europeia, ampliando a disputa comercial e as tensões com o bloco de 27 países.

Segundo comunicado do Ministério do Comércio da China, uma investigação preliminar concluiu que produtores europeus estariam praticando dumping ao vender carne suína e derivados no mercado chinês a preços inferiores aos de produção ou aos praticados em seus mercados internos. De acordo com o governo chinês, os preços aplicados pela União Europeia vêm causando “danos substanciais” à indústria local, embora detalhes adicionais não tenham sido fornecidos.

As tarifas, fixadas entre 15,6% e 62,4%, entrarão em vigor em 10 de setembro. O Ministério informou ainda que os exportadores deverão efetuar depósitos em dinheiro como garantia, sem esclarecer, contudo, se tais valores poderão ser restituídos no futuro ou em quais condições.

O processo foi aberto em junho de 2024, poucos dias após a União Europeia impor tarifas provisórias sobre veículos elétricos chineses. No mês seguinte, Pequim também aplicou medidas antidumping sobre o conhaque europeu, especialmente o francês, embora grandes produtores tenham recebido isenções.

A investigação sobre a carne suína incluiu cortes frescos e congelados, além de subprodutos como intestinos e órgãos internos. Espanha, Holanda e Dinamarca estão entre os países mais atingidos.

As exportações europeias de carne suína para a China alcançaram 7,4 bilhões de euros em 2020, em meio à crise sanitária que devastou granjas locais. Em 2023, o volume recuou para 2,5 bilhões de euros, sendo quase metade proveniente da Espanha. Paralelamente, autoridades chinesas também investigam possível dumping em produtos lácteos da União Europeia.