Lucro da BYD cai 29,9% no segundo trimestre e evidencia crise na China

Concorrente da Tesla, BYD sofre pressão após autoridades chinesas conterem guerra de preços.


A fabricante chinesa de veículos elétricos BYD registrou queda no lucro trimestral pela primeira vez em mais de três anos, diante do impacto da campanha do governo contra as guerras de preços no setor automotivo. Os dados foram divulgados na sexta-feira (29).

O lucro líquido da maior produtora mundial de veículos elétricos somou 6,4 bilhões de yuans (US$ 894,74 milhões) no segundo trimestre, recuo de 29,9% em relação ao mesmo período de 2024. No primeiro trimestre, a empresa havia registrado alta de 100,4%. Já a receita cresceu 14% e atingiu 200,9 bilhões de yuans. No semestre, o lucro avançou 13,8% e a receita 23,3%.

Concorrente direta da americana Tesla, de Elon Musk, a BYD enfrenta pressão com a determinação das autoridades chinesas de encerrar a disputa de preços que reduziu margens em todo o setor. A montadora estabeleceu a meta de vender 5,5 milhões de carros em 2025, mas alcançou 2,49 milhões até julho, o equivalente a 45% do objetivo.

“A perspectiva de a BYD atingir suas ambiciosas metas anuais parece pessimista”, avaliou Rosalie Chen, da Third Bridge. O grupo financeiro japonês Nomura estima vendas entre 5 milhões e 5,2 milhões neste ano. As vendas no mercado doméstico na China caíram pelo terceiro mês seguido em julho, enquanto a produção recuou pela primeira vez em 17 meses.

O déficit de capital de giro aumentou para 122,7 bilhões de yuans em junho, contra 95,8 bilhões em março. A relação dívida/ativos subiu de 70,7% para 71,1%. Nesta segunda-feira (1°), na bolsa de Hong Kong, as ações da BYD recuaram 5,2% e, em Shenzhen, 3,8%.

Segundo analistas da Jefferies, o “surpreendente desempenho inferior” resultou de “uma confluência de fraco momento de vendas e ventos contrários estruturais que corroeram seu outrora formidável fosso competitivo”. Já o banco americano Citi destacou que o lucro líquido ficou abaixo da estimativa de consenso de 7 a 9 bilhões de yuans, pressionado por cortes de preços e por um incentivo especial de 1 bilhão de yuans pago a concessionárias.