PIB dos EUA registra forte alta de 3,3% no segundo trimestre

O governo americano estimava crescimento de 3% no segundo trimestre.


A economia dos Estados Unidos apresentou recuperação neste segundo trimestre após enfrentar uma retração no primeiro trimestre, consequência das guerras comerciais promovidas pelo presidente norte-americano Donald Trump.

Em atualização de sua primeira estimativa divulgada em julho, o Departamento de Comércio dos EUA informou nesta quinta-feira (28) que o Produto Interno Bruto (PIB) americano — a produção nacional de bens e serviços — cresceu a um ritmo anual de 3,3% entre abril e junho, após queda de 0,5% nos primeiros três meses de 2025. A estimativa inicial do governo americano apontava crescimento de 3% para o segundo trimestre.

O recuo do PIB no primeiro trimestre, o primeiro em três anos, foi provocado principalmente pelo aumento das importações, que são subtraídas do cálculo do PIB, à medida que empresas anteciparam compras de produtos estrangeiros antes da aplicação das tarifas de Trump. Essa tendência se inverteu no segundo trimestre, com queda de 29,8% nas importações, impulsionando o crescimento em mais de cinco pontos percentuais.

O Departamento de Comércio do país indicou que os gastos do consumidor americano e o investimento privado foram ligeiramente superiores ao inicialmente estimado. Os gastos do consumidor, que representam cerca de 70% do PIB dos EUA, cresceram a 1,6% ao ano, acima de 0,5% no primeiro trimestre e dos 1,4% previstos inicialmente. Entretanto, o investimento privado caiu 13,8%, a maior retração desde o segundo trimestre de 2020, e a redução nos estoques privados subtraiu quase 3,3 pontos percentuais do crescimento do PIB.

Os gastos do governo federal caíram 4,7%, após queda de 4,6% no trimestre anterior. Uma medida de crescimento subjacente da economia, que exclui itens voláteis como exportações, estoques e gastos públicos, registrou expansão de 1,9%, igual ao primeiro trimestre.

Trump reverteu políticas de livre comércio, impondo tarifas sobre importações de diversos países e produtos, como aço, alumínio e automóveis, para proteger a indústria americana, atrair fábricas e financiar cortes de impostos. Economistas tradicionais alertam que as tarifas podem elevar custos e reduzir eficiência, tornando produtos mais caros para os consumidores americanos.

Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, afirmou que a resiliência do mercado de trabalho nos EUA está “dando às pessoas confiança para abrir suas carteiras para o básico e alguns pequenos luxos”, mas projeta que a economia permanecerá em “modo de velocidade mais lenta, com gastos e crescimento em torno de 1,5%, à medida que as tarifas se tornam mais visíveis para os consumidores americanos”.