Ibovespa cai 2,10% e dólar sobe após decisão do STF sobre sanções externas

A Embaixada dos EUA afirmou que nenhum tribunal estrangeiro pode anular ou evitar sanções americanas.


O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou a sessão desta terça-feira (19) em queda de 2,10%, aos 134.432 pontos. O dólar, por sua vez, avançou 1,19%, cotado a R$ 5,4993.

O movimento reflete a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu restrições “decorrentes de atos unilaterais estrangeiros” por parte de empresas ou instituições que atuam no Brasil. Dino destacou que bloqueio de ativos, cancelamento de contratos ou outras medidas “dependem de autorização expressa” do STF. Para investidores, a medida pode suspender os efeitos da Lei Magnitsky, aplicada pelos EUA ao ministro Alexandre de Moraes.

Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, explica que, diante do impasse entre Brasil e EUA, investidores estão se “protegendo” e transferindo recursos do setor bancário para o dólar. “A valorização do dólar, que também subiu ontem, reflete essa postura de precaução. Os investidores tendem a buscar refúgio em ativos considerados mais seguros, como o dólar e o ouro.”

O impacto se refletiu no desempenho dos bancos: Banco do Brasil (BBAS3) caiu 5,79%, Bradesco (BBDC4) -3,79%, BTG (BPAC11) -4,04%, Itaú (ITUB4) -3,97% e Santander (SANB11) -4,88%. Como o setor financeiro possui grande peso no Ibovespa, a queda conjunta das ações bancárias contribuiu para a retração do índice.

Os investidores também monitoraram os primeiros desdobramentos da reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca, além de aliados europeus. Trump anunciou a preparação de um encontro trilateral com Zelensky e Vladimir Putin, ainda sem data definida. Zelensky e líderes europeus solicitaram garantias de que a Rússia não voltará a invadir a Ucrânia.

No cenário interno, Dino reiterou que restrições provenientes de “leis estrangeiras, atos administrativos, ordens executivas e diplomas similares” só podem ocorrer com autorização expressa do STF, em ação movida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). A Embaixada dos EUA respondeu que nenhum tribunal estrangeiro pode anular as sanções impostas pelos EUA ou proteger alguém das consequências de descumpri-las.