O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira (30) que as tarifas comerciais aplicadas por seu governo não estão prejudicando a economia americana, “como muitos haviam dito”, e têm gerado receita expressiva para o país. A declaração foi feita durante um evento sobre tecnologia em saúde realizado na Casa Branca.
Segundo Trump, o Tesouro americano deve arrecadar US$ 200 bilhões com tarifas neste mês de agosto. Ele destacou ainda que “centenas de bilhões de dólares estão entrando em nosso país com tarifas”, o que, segundo ele, comprova a “eficiência” da política comercial adotada. O presidente norte-americano também citou a melhora de diversos indicadores econômicos nos EUA. “A inflação segue caindo, pelo quinto mês consecutivo, mais rápido do que o esperado”, disse. Mencionou ainda avanços na confiança do consumidor e nos investimentos empresariais, que, segundo ele, refletem o fortalecimento da economia sob sua gestão. O PIB dos EUA avançou 3% no segundo trimestre deste ano e ultrapassou a marca nominal de US$ 30 trilhões.
Ao comentar a relação com parceiros internacionais, Trump elogiou o andamento das negociações com a China, destacando o trabalho do secretário do Tesouro dos EUA. “Bessent fez um ótimo trabalho na reunião comercial com a China”, afirmou. Mais cedo, o presidente americano havia dito que as conversas tarifárias com o país asiático estavam “indo muito bem”.
Em relação ao bloco europeu, Trump ressaltou brevemente a importância do novo acordo firmado. “O acordo com a UE é, talvez, um dos maiores acordos comerciais já feitos na história”, declarou.
Dados divulgados pelo Departamento do Tesouro dos EUA em 11 de julho apontam que a arrecadação com impostos alfandegários no país superou, pela primeira vez, a marca de US$ 100 bilhões em um único ano fiscal. Em junho, a arrecadação bruta chegou a US$ 27,2 bilhões e a líquida, após reembolsos, foi de US$ 26,6 bilhões — ambas cifras recordes.
Nos primeiros nove meses do ano fiscal de 2025, iniciado em outubro de 2024, os impostos alfandegários já somam US$ 113,3 bilhões em valores brutos e US$ 108 bilhões líquidos, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Trump afirmou que “o dinheiro grosso” começará a entrar com a imposição de tarifas “recíprocas” mais altas, previstas para este 1º de agosto. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, escreveu na rede X que os EUA estão “colhendo os frutos” da política tarifária, destacando que o relatório mensal apresenta “taxas alfandegárias recordes — e sem inflação”.
As tarifas tornaram-se a quarta maior fonte de receita federal dos EUA, atrás apenas dos impostos retidos na fonte (US$ 2,683 trilhões), receitas individuais não retidas (US$ 965 bilhões) e impostos corporativos (US$ 392 bilhões). A participação das tarifas na arrecadação federal dos Estados Unidos dobrou em cerca de quatro meses, passando de 2% para cerca de 5%.




