Maioria dos brasileiros prefere comércio com os EUA em vez da China

59% dos brasileiros preferem os EUA, e 32% a China, nas relações comerciais.


Levantamento do PoderData divulgado nesta quinta-feira (31) mostra que 59% dos brasileiros acreditam que o país deveria priorizar relações comerciais com os Estados Unidos em vez da China. Outros 32% responderam que o Brasil deveria se aproximar mais dos chineses, enquanto 9% não souberam opinar.

Os dados foram segmentados por perfil eleitoral. Entre os que votaram em Jair Bolsonaro (PL) em 2022, 61% preferem os Estados Unidos. Já entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 58% têm a mesma opinião. Quanto à China, 33% dos eleitores de Lula optam pelo regime chinês, contra 30% dos eleitores de Bolsonaro.

A pesquisa foi realizada entre os dias 26 e 28 de julho, por telefone, com 2.500 pessoas em 182 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, publicada na madrugada de quarta-feira (30), Lula afirmou que buscará novos mercados caso as exportações brasileiras aos EUA diminuam devido às novas tarifas comerciais impostas pelo governo Trump.

“Se os Estados Unidos não quiserem comprar algo de nós, nós vamos atrás de quem queira. Temos uma relação comercial extraordinária com a China”, disse o presidente.

Lula também revelou que tenta contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o tema, mas que “ninguém quer conversar”.

“Se os Estados Unidos e a China quiserem uma Guerra Fria, não aceitaremos. Não tenho preferência. Tenho interesse em vender para quem quiser comprar de mim — para quem pagar mais”, afirmou.

O petista declarou ainda estar disposto a dialogar com todos os líderes e afirmou não ter objeções à ideologia do republicano. “Trump é uma questão para o povo americano lidar. Eles votaram nele. Fim da história.”

Apesar da relevância dos dois países nas relações comerciais do Brasil, analistas afirmam que os mercados atendem a demandas distintas. Especialistas apontam que redirecionar produtos destinados aos EUA para a China pode não ser viável, pois os chineses não demonstram interesse em ampliar essas compras.