Equipe de Lula ouve “não” de Trump a diálogo entre Casa Branca e Brasil

Reuniões começam domingo (27) e seguem na segunda (28) com a Amcham.


Uma comissão de senadores brasileiros embarca nesta sexta-feira (25) para os Estados Unidos com o objetivo de tentar abrir um canal de negociação diante da ameaça de tarifas que o presidente americano Donald Trump pode impor ao Brasil a partir de 1º de agosto.

A iniciativa preocupa diplomatas brasileiros e vem, segundo o governo petista, “sendo boicotada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo influenciador Paulo Figueiredo”. Segundo interlocutores do presidente Lula que estão em Nova York, Trump não autorizou sua equipe a dialogar com o Brasil.

Embora o vice-presidente Geraldo Alckmin tenha revelado conversas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, a mensagem recebida é de que todas as decisões estão concentradas na Casa Branca. Lula afirmou, na quinta-feira (24), que Trump “não quer negociar”. A declaração ocorre após críticas do petista ao presidente americano e sua defesa da desdolarização da economia global.

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, que também está nos Estados Unidos em missão na ONU, disse a aliados que ouviu de diversas fontes que Trump realmente não pretende reabrir o diálogo com o Brasil. Segundo ele, há um “clima de medo e apreensão” nos EUA, e “ninguém tem coragem de desafiá-lo”.

Alckmin relatou que, no sábado (19), teve uma conversa telefônica de cerca de 50 minutos com Lutnick sobre o tarifaço, mas preferiu não revelar o conteúdo do diálogo.

Apesar do cenário negativo, o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), defende que é necessário agir diretamente em solo americano. Ele espera, ao menos, adiar a entrada em vigor das tarifas para viabilizar novas negociações. “Queremos também esclarecer o que o governo americano exatamente quer negociar”, afirmou. “Ninguém sabe exatamente os limites de Trump.”

A primeira reunião da comissão ocorrerá no domingo (27). Na segunda (28), os parlamentares serão recebidos na embaixada brasileira e terão encontro com representantes da Amcham. Na terça (29), seguem para reuniões no Capitólio com congressistas americanos.

Integrantes da missão do governo petista afirmam que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo estariam “atuando para atrapalhar os compromissos da comitiva em Washington”.