Os laços comerciais entre a União Europeia e a China chegaram a um “claro ponto de inflexão”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta quinta-feira (24), em Pequim, ao final de uma cúpula marcada por tensões envolvendo comércio e a guerra na Ucrânia.
A reunião, que celebrou os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois blocos, foi reduzida para apenas um dia, a pedido de Pequim, após semanas de crescentes atritos bilaterais. “Nós levantamos nossas preocupações de forma muito franca e aberta… sobre questões comerciais, de investimento e geopolíticas… Identificamos soluções parcialmente”, declarou von der Leyen após encontros com o presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro, Li Qiang.
Questionada sobre um possível acordo comercial com os Estados Unidos, von der Leyen indicou que o foco continua sendo uma solução negociada, mas afirmou que “todos os outros instrumentos estão sobre a mesa até que tenhamos um resultado satisfatório”.
“Nosso relacionamento com a China é importante, mas se sustenta por seus próprios méritos. É independente das ações ou problemas que temos com os outros”, acrescentou.
Xi Jinping, por sua vez, afirmou aos líderes europeus que “os desafios que a Europa enfrenta não vêm da China”, pedindo que o bloco “lide adequadamente com as diferenças e os atritos”. O presidente chinês também solicitou que a UE “mantenha o mercado de comércio e investimento aberto e se abstenha de usar ferramentas econômicas e comerciais restritivas”, conforme relatou a agência oficial Xinhua.
A União Europeia tem criticado o excesso de capacidade industrial da China e, no ano passado, adotou medidas contra exportações chinesas de veículos elétricos. O déficit comercial europeu com a China alcançou o recorde de 305,8 bilhões de euros em 2024.
Von der Leyen afirmou que a liderança chinesa começou a tratar do problema da capacidade excedente e demonstrou abertura para apoiar o aumento do consumo interno. “Acreditamos que aumentar o acesso ao mercado para empresas europeias na China, limitar o impacto externo da involução e reduzir os controles de exportação são passos importantes”, declarou ao premiê Li.
Ela descreveu o encontro com Xi como “excelente”. As partes também divulgaram uma declaração conjunta sobre o clima, reiterando compromissos com planos de ação climática e ampliando a cooperação em transição energética, metano, mercados de carbono e tecnologias verdes.
Durante a cúpula, líderes europeus reiteraram a expectativa de que Pequim desencoraje Moscou na guerra contra a Ucrânia. “O importante é que tenhamos um cessar-fogo e que as negociações aconteçam na mesa, que haja uma vontade verdadeira e genuína de encontrar soluções para acabar com o derramamento de sangue”, afirmou von der Leyen.




