Representantes da indústria brasileira afirmaram, nesta terça-feira (15), que o Brasil “não será reativo intempestivamente” diante da imposição de tarifas unilaterais pelos Estados Unidos. Durante reunião em Brasília, líderes do setor pediram que o governo busque entendimento nas negociações com os norte-americanos.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, declarou que o setor está “unido e convergente” na busca por uma solução para o impasse. “O que temos aqui é um perde-perde”, disse. “Nós estamos uníssimos e convergentes na busca da solução, porque o que temos aqui é um verdadeiro perde-perde. Não faz sentido de forma nenhuma, nem econômica, nem social, nem geopolítica, nem política um perde-perde.”
Alban criticou a medida adotada pelo governo dos EUA, afirmando que “não faz nenhum sentido que o Brasil saia do piso para o teto sem nenhuma motivação econômica”. Segundo ele, “isso é algo fatídico, não é especulação, não é conjectura”. O presidente da CNI defendeu uma interlocução oficial para tratar do tema e citou o MDIC e o Ministério das Relações Exteriores como aptos a conduzirem o diálogo.
A reunião contou com a participação de representantes do governo federal e da indústria, um dos setores mais afetados pela tarifa de 50% sobre exportações brasileiras imposta pelo presidente Donald Trump. Alban destacou que o país evitará adotar medidas que possam ser vistas como retaliações. “Não se precipitará, de forma nenhuma, em medidas de retaliações para que não sejam interpretadas como simplesmente uma disputa.”
O presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, reforçou a confiança do setor privado na manutenção das boas relações com os Estados Unidos. “Pelo contrário, vamos chegar a um entendimento”, afirmou. “Obviamente vamos dar todo o suporte, todo o apoio, para que o Brasil chegue a um entendimento, em benefício das populações brasileiras e americanas.”
Silva pontuou que os Estados Unidos também sairão prejudicados com as tarifas e afirmou que será possível apresentar dados concretos para demonstrar os impactos da medida. “Não temos dúvida que, com a competência e experiência do MDIC e do MRE, vamos chegar a um bom termo.”
Desde a semana passada, os EUA vêm notificando 24 países sobre a nova rodada de sanções. O Brasil foi o mais atingido. Em resposta, o governo brasileiro reafirmou sua soberania e demonstrou disposição para negociar.




