Com tarifas de Trump, EUA registram maior arrecadação alfandegária da história

Com os dados atualizados, as tarifas se tornaram a quarta maior fonte de receita dos EUA, saltando de 2% para 5%.


A arrecadação de impostos alfandegários nos Estados Unidos superou, pela primeira vez, a marca de US$ 100 bilhões em um único ano fiscal, segundo informou o Departamento do Tesouro dos EUA na sexta-feira (11). O resultado impulsionou um superávit orçamentário de US$ 27 bilhões em junho, contrariando expectativas e refletindo os efeitos da política tarifária do presidente norte-americano Donald Trump.

De acordo com os dados, a arrecadação bruta com tarifas em junho quadruplicou, atingindo US$ 27,2 bilhões, enquanto a arrecadação líquida, após reembolsos, foi de US$ 26,6 bilhões — ambas cifras recordes. Nos primeiros nove meses do ano fiscal de 2025, iniciado em outubro, os impostos alfandegários acumularam US$ 113,3 bilhões em base bruta e US$ 108 bilhões em base líquida, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.

Trump afirmou, na terça-feira, que “o dinheiro grosso” começaria a entrar com a imposição de tarifas “recíprocas” mais altas, previstas para 1º de agosto. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou na rede X que os EUA estão “colhendo os frutos” da política tarifária, destacando que o relatório mensal apresenta “taxas alfandegárias recordes — e sem inflação”.

As tarifas tornaram-se a quarta maior fonte de receita federal, atrás apenas dos impostos retidos na fonte (US$ 2,683 trilhões), receitas individuais não retidas (US$ 965 bilhões) e impostos corporativos (US$ 392 bilhões). Em cerca de quatro meses, a participação das tarifas na arrecadação federal dobrou, passando de 2% para cerca de 5%.

O superávit de junho reverteu o déficit de US$ 71 bilhões registrado no mesmo mês de 2024. A receita total no mês cresceu 13%, ou US$ 60 bilhões, totalizando US$ 526 bilhões, enquanto as despesas caíram 7%, ou US$ 38 bilhões, para US$ 499 bilhões. Ajustadas as variações de calendário, o Tesouro estimou um déficit real de US$ 70 bilhões em junho.

No acumulado do ano fiscal, o déficit subiu 5%, ou US$ 64 bilhões, totalizando US$ 1,337 trilhão. As receitas cresceram 7%, para US$ 4,008 trilhões, e as despesas aumentaram 6%, atingindo US$ 5,346 trilhões. Os custos com juros da dívida federal somaram US$ 921 bilhões, alta de 6% em relação ao ano anterior, embora a taxa média de juros tenha se mantido estável em 3,3%.