Os Estados Unidos seguem como o maior investidor estrangeiro no Brasil, com um estoque superior a US$ 300 bilhões (R$ 1,7 trilhão) em 2024, o que representa cerca de um terço do total de investimento estrangeiro direto (IED) no país. Os dados foram destacados por Fabrizio Panzini, diretor de Políticas Públicas e Relações Governamentais da Amcham Brasil, a maior Câmara Americana de Comércio fora dos EUA. Mesmo assim, o presidente Lula mantém um discurso crítico aos norte-americanos, questiona o papel do dólar como moeda global e insiste em priorizar relações com países como China e Rússia.
No entanto, nem todos enxergam o cenário com otimismo. Em um jantar do Grupo Esfera em Nova York, o enviado especial para a América Latina do governo americano, Mauricio Claver-Carone, apontou obstáculos à atração de investimentos: “O país tem um enorme potencial, mas precisa enfrentar seus três Cs: câmbio, corrupção e crime. Não é uma crítica vazia, é um chamado para o país destravar seu potencial”.
A declaração gerou reações no Brasil. Para Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP, “a fala reflete desconhecimento da realidade brasileira e uma visão preconceituosa”. Segundo ele, o câmbio flutuante é compatível com as melhores práticas internacionais, e o país está entre os maiores receptores globais de IED há duas décadas.
O Brasil foi o segundo maior destino de investimento estrangeiro direto em 2024, atrás apenas dos EUA, com US$ 70 bilhões (R$ 396,4 bilhões). Em confiabilidade, ocupa o 21º lugar no ranking da consultoria Kearney, à frente de China, Índia e México.
O perfil do IED americano tem foco em setores estratégicos como financeiro, manufatura, data centers, transporte e energia. De acordo com a Amcham, quase 20% dos investimentos são direcionados ao setor financeiro e de seguros, seguido por químico, automotivo, máquinas e alimentos. Há ainda boas perspectivas em minerais críticos e energias renováveis.
Apesar da queda global de 8% no fluxo de IED em 2024, segundo a Unctad, a retração brasileira foi menor, de 5%, com um total de US$ 61 bilhões em 11 meses.
Segundo Marcelo Toledo, economista-chefe da Bradesco Asset, há divisão entre investidores americanos: “O que me surpreendeu foi uma postura de esperar para ver, pausar, mais do que já terem decisões formadas”.




